A Polícia Federal intimou nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, Kléber Cabral, para prestar esclarecimentos após críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O pedido formal foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes.
O depoimento está agendado para amanhã, sexta-feira, às 15h. Em entrevista à GloboNews na quarta-feira, 18 de fevereiro, Cabral expressou sua preocupação, afirmando que a crescente influência da facção criminosa PCC gera mais temor entre os servidores da Receita Federal do que o próprio STF.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As críticas surgem em decorrência da atuação de alguns ministros do Supremo e de seus familiares. Anteriormente, na terça-feira, 17 de fevereiro, o ministro Moraes autorizou buscas e apreensão de bens de quatro funcionários do Fisco sob investigação.
Em declaração ao Metrópoles, Kléber Cabral também mencionou o auditor Ricardo Mansano de Moraes, que estava envolvido na investigação do STF. Segundo ele, Mansano teria solicitado a verificação de movimentações consideradas suspeitas, incluindo informações sobre parentes de terceiro grau, sem que o Fisco apresentasse uma justificativa clara para a desconfiança.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
LEIA TAMBÉM!
“Se o ministro estava atento às informações divulgadas pela imprensa, o procedimento normal seria investigar a Receita Federal, que faria uma apuração administrativa. O Flávio Bolsonaro já fez isso, e esse tipo de apuração é legítima; a Receita deveria ter questionado qual dado vazou”, declarou Cabral ao Metrópoles.
A Polícia Federal cumpriu mandados em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação faz parte do inquérito das chamadas “fake news”, aberto em 2019 e que, até o momento, permanece em sigilo.
A Unafisco, associação dos auditores fiscais, manifestou preocupação com a operação, ressaltando a necessidade de observar o devido processo legal, a presunção de inocência e a proporcionalidade das medidas adotadas. A associação lembrou que, em 2019, utilizando o mesmo inquérito, o ministro Alexandre de Moraes afastou dois Auditores-Fiscais acusados de vazamento de informações fiscais de parentes de ministros do STF.
Posteriormente, a acusação não apresentou lastro probatório, e os Auditores-Fiscais foram reintegrados. A Unafisco concluiu: “Os Auditores-Fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito”.
