Pix sob Investigação: EUA Acusam Brasil de Práticas Comerciais Desleais

O Pix e a Disputa Comercial entre Brasil e Estados Unidos
A comparação entre o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o Pix, e o sistema americano, . Frequentemente apresentada, revela diferenças cruciais que explicam o sucesso do Pix em conquistar uma adesão massiva em poucos anos, algo que o sistema americano não conseguiu alcançar, apesar de ser pioneiro.
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Essa situação ganhou novo contorno nesta semana, com uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Em junho de 2026, o USTR concluiu uma investigação de quase um ano sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, com foco no Pix. O relatório acusa o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central de ser “injusto e discriminatório” com empresas americanas, incluindo Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.
O documento destaca que o Zelle, um serviço de transferência instantânea entre pessoas, está no centro dessa disputa, impulsionada pela forma como ele funciona e pelo impacto que o Pix tem em Washington.
Entendendo o Zelle e a Diferença com o Pix
O Zelle surgiu em 2017 nos Estados Unidos como um serviço de transferência instantânea entre pessoas (peer-to-peer, ou P2P). Ele permite enviar e receber dinheiro diretamente de uma conta bancária para outra, em minutos, sem a necessidade de uma carteira digital separada.
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Ao contrário do Pix, que é administrado pelo Banco Central do Brasil, o Zelle é operado por uma rede de bancos privados americanos, sem uma autoridade central pública. Isso significa que as regras de uso, tarifas e condições de acesso são definidas independentemente por cada instituição parceira.
Uma das principais críticas no relatório do USTR é a gratuidade compulsória do Pix, que contrasta com a possibilidade de os bancos cobrarem pelo serviço no Zelle. Essa distinção é vista como uma pressão indevida sobre empresas privadas americanas para que promovam o Pix sem contrapartida financeira.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, refutou os argumentos, afirmando que o Pix não é um produto concorrente e que empresas americanas têm relatado que o Pix aumentou as transações no país.
A Reação do Governo Brasileiro e o Prazo Final
O presidente Lula foi ainda mais categórico, declarando que o Pix é do Brasil e que o governo não permitirá que ele seja mudado para atender às demandas de Washington. O governo brasileiro tem até 15 de julho de 2026 para apresentar sua resposta formal ao relatório do USTR.
O desfecho da negociação terá implicações para as relações comerciais entre os dois países e para o futuro de sistemas de pagamentos públicos e soberanos em um mundo onde as infraestruturas financeiras digitais são um campo de disputa entre nações.
A comparação entre o Pix e o Zelle revela diferenças estruturais profundas. O Pix é uma infraestrutura pública e interoperável, acessível a qualquer pessoa com conta em qualquer banco regulado pelo Banco Central. Já o Zelle depende de parcerias voluntárias com bancos específicos, o que limita sua aceitação e uso.
O Pix movimentou mais de R$ 17 trilhões em 2024, superando cartões de débito e crédito somados.
O Pix como um Desafio Geopolítico
O sucesso do Pix está incomodando além das empresas de pagamento. Ao criar uma infraestrutura pública, gratuita e de alta eficiência, o Brasil construiu um sistema que compete diretamente com redes privadas controladas por empresas americanas. O modelo brasileiro está se espalhando pelo mundo, com países como Índia e México observando o Pix como referência.
Essa situação pode levar o Departamento do Tesouro americano a ampliar o alcance da pressão sobre bancos brasileiros, mesmo que não haja uma disputa comercial direta.
O FedNow, lançado em 2023 pelo Federal Reserve, é o serviço que mais se aproxima do Pix em proposta e arquitetura. No entanto, enfrenta o mesmo obstáculo estrutural do Zelle: a adesão não é obrigatória. O Venmo, de propriedade do PayPal, é especialmente popular entre jovens e tem uma interface social, mas suas transações não são instantâneas e o serviço é restrito ao uso pessoal e informal.
É importante notar que o uso do Zelle tem riscos, pois oferece pouca proteção ao consumidor em caso de fraude ou golpe. Uma vez enviado o dinheiro, recuperá-lo é extremamente difícil na maioria dos casos. O Pix, por determinação do Banco Central, é obrigatoriamente gratuito para pessoas físicas em qualquer instituição.
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