Pierre Guillon de Prince pede desculpas no tráfico transatlântico: o que muda em Nantes?

Pedido Público de Desculpas por Envolvimento Familiar no Tráfico Transatlântico
Pierre Guillon de Prince, de 86 anos, realizou no último sábado, dia 18 de abril de 2026, o que é considerado o primeiro pedido público de desculpas na França referente ao envolvimento de sua família no tráfico transatlântico. O evento ocorreu em Nantes, um porto francês que foi um dos principais pontos de passagem no comércio de pessoas escravizadas.
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O Legado Histórico da Família
Os antepassados de Guillon de Prince eram proprietários de navios que foram responsáveis por transportar aproximadamente 4.500 africanos escravizados, além de terem envolvimento com plantações no Caribe. O pedido de desculpas foi feito durante uma cerimônia que antecedeu a inauguração de um mastro simbólico de navio.
Motivação e Compromisso Pessoal
Ao se manifestar, Guillon de Prince declarou: “Diante do aumento do racismo, senti a responsabilidade de não deixar esse passado ser apagado”. Ele também expressou sua intenção de passar essa história familiar para as gerações futuras.
Reconhecimento e Testemunho
O evento reuniu Dieudonné Boutrin, um descendente de escravizados da ilha de Martinica. Segundo Boutrin, o gesto de Guillon de Prince simboliza um ato de grande coragem, especialmente considerando o silêncio de outras famílias com um histórico semelhante.
Contexto da Escravidão na França
Entre os séculos XV e XIX, estima-se que cerca de 12,5 milhões de africanos foram escravizados e forçados a viajar. Deste número, a França foi responsável por aproximadamente 1,3 milhão desses casos trágicos.
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Embora o país tenha reconhecido a escravidão como um crime contra a humanidade em 2001, até o momento não havia sido emitido um pedido formal de desculpas. Guillon de Prince sugeriu que outras famílias e o próprio governo francês deveriam adotar medidas semelhantes, incluindo ações mais abrangentes para lidar com o legado histórico da escravidão.
Implicações do Ato Público
Este pronunciamento marca um momento significativo no debate público francês sobre memória e reparação histórica. O ato busca trazer à luz um passado doloroso, incentivando um diálogo mais profundo sobre as consequências sociais e raciais desse período.
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