PF Aponta Pressões e Lavagem de Dinheiro na Liberação de Recursos do MEC

PF aponta pressões e irregularidades no repasse de recursos do MEC, com envolvimento de ex-nora do presidente e Life Tecnologia. Operação “Coffee Break” investiga superfaturamento de contratos e lavagem de dinheiro

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(Imagem de reprodução da internet).

Apuração da PF Revela Pressões para Liberação de Recursos do MEC

Uma investigação da Polícia Federal, denominada “Coffee Break”, aponta para irregularidades no uso de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

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A operação investiga a ex-nora do presidente, Carla Ariane Trindade, e sua suposta influência para direcionar o repasse de valores para a empresa Life Tecnologia Educacional, responsável por contratos milionários com prefeituras de diversos estados.

Irregularidades nos Contratos

Inicialmente, a PF identificou indícios de irregularidades nas compras públicas de kits de robótica e livros didáticos, envolvendo a empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 52 milhões para o fornecimento dos materiais. A investigação revelou que a empresa comprava os materiais por valores baixos e os revendia para as prefeituras por valores significativamente mais altos, gerando um superdimensionamento nos custos.

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A operação também identificou contratos firmados com a prefeitura de Sumaré (SP), Hortolândia (SP) e Limeira (SP).

Lavagem de Dinheiro

A investigação aponta que a Life Tecnologia Educacional repassava parte dos seus lucros para outras empresas ligadas a doleiros, com o objetivo de “lavar o proveito de seus crimes e facilitar o futuro pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos”.

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O principal investigado, André Gonçalves Mariano, dono da Life Tecnologia, pagou propina para lobistas e funcionários públicos que facilitavam os processos licitatórios e o repasse dos recursos. A empresa mantinha encontros frequentes com gestores públicos para tratar sobre “pagamentos indevidos”.

Influência da Ex-Nora

Carla Ariane Trindade teria informado André Mariano sobre sua influência em decisões do governo federal, facilitando a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Em duas ocasiões, ela foi financiada para viajar a Brasília, defendendo seus interesses junto aos órgãos públicos.

Em uma agenda encontrada pela PF, há apontamentos indicando Carla com a expressão “café”, que, para os investigadores, seria um código para pagamentos de propina. Kalil Bittar, lobista que também atuava no caso, era irmão de Fernando Bittar, um dos donos do sítio em Atibaia, alvo de investigações do Ministério Público Federal durante a operação Lava Jato.

Investigação e Apreensões

A PF decretou 6 prisões preventivas e 50 mandados de busca e apreensão em endereços em São Paulo, Distrito Federal e Paraná. A decisão considerou que a prisão preventiva é “pertinente e adequada, especialmente porquanto dirigida aos operadores financeiros, agentes públicos, intermediadores políticos e André Mariano, cuja agenda revelou indícios da dinâmica utilizada para a retirada de valores em espécie para a entrega, ato contínuo, a tais agentes e intermediários”.

Reações das Partes Envolvidas

O MEC afirmou que não tem nenhuma relação com a operação e não pretende se manifestar sobre o assunto. A defesa de Kalil Bittar refuta a participação do lobista em “prospecção” de negócios. A Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência não respondeu à solicitação do Poder360.

As prefeituras de Hortolândia, Limeira e Sumaré também não forneceram resposta.

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