Sistemas de Saúde na Amazônia: Desafios e Perspectivas em Meio às Mudanças Climáticas
Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores brasileiros propõe uma repensagem dos sistemas de saúde na Amazônia, em artigo publicado no British Medical Journal. A análise destaca a necessidade de considerar os impactos das mudanças climáticas, eventos extremos e insegurança alimentar.
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A proposta central é integrar saberes tradicionais e adaptar as práticas de cuidado às necessidades específicas das comunidades locais. O artigo surge em um momento crucial, com a realização da COP30 na Amazônia e a recente elaboração de um plano nacional de saúde e clima pelo Ministério da Saúde.
Estratégias de Adaptação e Valorização do Conhecimento Local
Os pesquisadores defendem a criação de indicadores de saúde sensíveis às particularidades amazônicas e a valorização de práticas de cuidado adaptadas ao território. A vigilância em saúde baseada na comunidade, fundamentada em epistemologias indígenas, é uma sugestão central.
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A valorização dos conhecimentos tradicionais sobre alimentação e dietas, com o objetivo de conter a disseminação de alimentos ultraprocessados, também é enfatizada. O trabalho das parteiras, que combinam práticas biomédicas e ancestrais, é citado como um exemplo de abordagem híbrida já adotada em algumas regiões.
O Conceito de “Territórios Fluidos” e a Importância dos Rios
A equipe propõe um modelo de adaptação orgânica, reconhecendo os rios e a floresta como participantes ativos dos processos e os povos tradicionais como detentores de saberes cruciais. O conceito de “territórios fluidos”, amplamente utilizado pela Fiocruz Amazônia, é apresentado como ferramenta relevante.
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A imprevisibilidade do rio, evidenciada pelas secas de 2023 e 2024 que isolaram comunidades inteiras, é destacada. A falta de acesso à saúde e o agravamento das condições de vida, com aumento de doenças transmissíveis e fome, são reconhecidos como condicionantes que exigem uma adaptação da saúde.
Visão Holística da Saúde e Desafios do Desenvolvimento Atual
Di Giulio ressalta que, em uma perspectiva mais ampla, a saúde deve integrar aspectos espirituais, sociais e ambientais. Doenças como malária e Covid-19 são compreendidas não apenas como questões biológicas, mas também como manifestações de desequilíbrios provocados por ações humanas e desrespeito à natureza.
A Amazônia, historicamente tratada como um território a ser explorado economicamente, sofreu com políticas públicas que desconsideraram a presença e os direitos dos povos indígenas e tradicionais, resultando em perda de biodiversidade e impactos na saúde física e mental das populações locais.
O grupo de pesquisadores busca um olhar decolonial, priorizando temas que emergem das especificidades do Sul global e tensionando os espaços editoriais de periódicos.
