Pesquisadores investigam Balanophora, planta que desafia a definição de “planta”. Estudo revela adaptações e história evolutiva da espécie.
Pesquisadores têm se dedicado a entender a Balanophora, uma planta que desafia as concepções tradicionais sobre o que significa ser uma planta. Essas parasitas, que vivem às custas de outras plantas, oferecem uma oportunidade única para examinar a evolução e a adaptação.
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O estudo, que combina dados genéticos com métodos evolutivos, busca mapear a história evolutiva dessas plantas de 100 milhões de anos.
A pesquisa se concentra em um organismo vegetal que desafia noções básicas sobre o que é ser planta. Os cientistas realizaram um tipo de “engenharia reversa” conceitual, desmontando o organismo até seus componentes mínimos para revelar quais elementos permanecem mesmo após a perda da fotossíntese.
O objetivo é entender como a Balanophora se adaptou a um estilo de vida parasitário.
Para entender a história evolutiva da Balanophora, os pesquisadores coletaram amostras de sete espécies em 12 populações nas profundezas úmidas e sombrias das florestas montanhosas de Taiwan, Okinawa e Japão continental. O objetivo era reconstruir a árvore evolutiva do grupo, descobrir quem é mais aparentado de quem e entender quantas vezes certas características surgiram ou se perderam.
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Os pesquisadores analisaram o genoma dos plastídeos, organelas das células vegetais, entre as quais os cloroplastos são os responsáveis pela fotossíntese. Como a Balanophora não realiza esse processo, eles pesquisaram quais genes foram perdidos durante a evolução, quais restaram e quais funções ainda permanecem.
A análise revelou que o genoma plastidial sofreu uma redução extrema para apenas 20 genes (10% das plantas normais), mas ainda continua funcional.
A pesquisa também investigou a reprodução das plantas. Descobriu-se que a reprodução assexuada surgiu repetidas vezes no gênero Balanophora. A capacidade de produzir sementes sem fertilização foi o que permitiu a expansão geográfica da planta, mesmo a partir de populações pequenas, facilitando a colonização de ilhas do Japão até Taiwan.
Alguns polinizadores atípicos, como grilos-camelo e baratas, atuam como dispersores de sementes.
Com o enorme avanço obtido na compreensão das plantas não fotossintéticas, o pesquisador Kenji Suetsugu prepara uma nova investida. Ele pretende agora conectar genômica e bioquímica para descobrir quais substâncias ainda são produzidas pelos plastídeos e como elas sustentam o crescimento parasita.
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