Pecuário recalibra expectativas: o que muda na oferta e nos custos do gado?
Setor pecuário recalibra expectativas! Saiba como a oferta de gado e os custos operacionais mudarão o mercado até junho. Confira!
Setor Pecuário Ajusta Expectativas com Mudanças na Oferta e Custos
O setor pecuário está em um momento de recalibração de expectativas. Após um primeiro trimestre com valorização constante da arroba do boi gordo, impulsionada pela menor oferta de fêmeas, a dinâmica de mercado passa por ajustes significativos.
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Esses ajustes envolvem a oferta, os custos operacionais e o cenário do mercado externo para o primeiro ciclo de confinamento.
Apesar das incertezas, o interesse dos pecuaristas em confinar animais permanece forte, sendo o principal motor o melhoramento nos preços dos insumos alimentares. Contudo, há crescentes preocupações com os valores elevados dos animais mais jovens e com o comportamento das exportações, especialmente em relação às cotas chinesas para carne bovina brasileira.
Análise da Ocupação e Oferta de Gado
Em fevereiro, a taxa de ocupação dos confinamentos atingiu 52,6%, um nível considerado normal para o período chuvoso. No entanto, um dado relevante é o Índice de Reposição de Gado, que subiu para 1,328. Este número supera o registrado em fevereiro de 2025, quando foi de 1,227.
Esse avanço no índice sugere que o ritmo de entrada de animais nos confinamentos está mais acelerado neste ano. Isso tende a elevar gradualmente a lotação das instalações, sinalizando uma oferta mais robusta de bois prontos a partir do mês de maio.
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Perspectivas de Mercado e Custos de Entrada
Lorenzo Junqueira aponta uma mudança clara no comportamento do mercado ao longo do semestre. Ele ressalta que, embora o início do ano tenha sido marcado por uma arroba firme devido à escassez de animais, a entrada mais intensa de gado a partir de fevereiro deve gerar reflexos a partir de junho, quando a oferta tende a aumentar sazonalmente.
Alberto Pessina, consultor da Agromove, alerta que a reposição de gado deve desafiar o confinamento neste ano. O boi magro, animal jovem em recria, apresentou forte valorização, chegando a custar entre 10% e 20% acima da arroba do boi gordo em certos momentos.
Impacto no Planejamento Operacional
Essa alta no custo de entrada pressiona o custo total da operação, pois uma parte grande do investimento do confinador fica concentrada na aquisição do animal. Isso diminui a margem de manobra, mesmo quando o custo da alimentação está mais acessível.
A relação entre o custo de produção e o preço de venda permanece apertada, exigindo alta eficiência na gestão e no planejamento estratégico. Apesar disso, muitos produtores consideram o momento oportuno para comprar animais, apostando em preços relativamente estáveis para a arroba no primeiro semestre.
Fatores Externos e Custos Alimentares
Outro ponto crucial é o cenário das exportações, especialmente para a China. O avanço no preenchimento das cotas de importação brasileira gera dúvidas sobre o ritmo das compras futuras. Se essas restrições se intensificarem, o mercado interno pode absorver mais volume, o que tende a frear a alta dos preços.
Apesar disso, a maioria dos analistas prevê pouca chance de queda acentuada nas cotações, apontando mais para estabilidade ou altas mais contidas, sustentadas pela oferta ainda limitada devido à retenção de fêmeas.
Vantagem dos Insumos Alimentares
Um fator que sustenta a decisão de investir em confinamento é a queda nos custos de alimentação. Os preços do milho e da soja estão mais baixos comparados ao mesmo período do ano passado, beneficiados por boas safras no Brasil e nos Estados Unidos.
Os dados do ICAP mostram variações regionais. No Centro-Oeste, houve recuo de 6,04% nos custos em janeiro, enquanto o Sudeste registrou alta de 2,76%. Comparando com fevereiro de 2025, o Centro-Oeste acumulou queda de 14,04% nos custos alimentares.
Projeção para o Mercado Futuro
As expectativas para o mercado futuro indicam um cenário de relativa estabilidade com um viés de alta moderada, mas com incertezas importantes. As projeções apontam que os preços devem se manter sustentados até abril e maio, seguindo a menor disponibilidade de animais prontos.
A partir de junho, contudo, o aumento da oferta de bois vindos dos confinamentos pode limitar movimentos de valorização mais expressivos no mercado.
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