Exportações de Petróleo Venezuelano Alcançam 7,8 Milhões de Barris
As exportações de petróleo venezuelano, em um acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões com os EUA, atingiram cerca de 7,8 milhões de barris nesta quarta-feira (21), segundo dados de rastreamento de navios e documentos da estatal PDVSA. O movimento de petróleo representa um passo importante na busca por soluções para os elevados estoques do país.
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O embarque de petróleo ocorreu após os EUA flexibilizarem o bloqueio, mas sem reverter completamente os cortes na produção da PDVSA, implementados no início de janeiro. O acordo entre Caracas e Washington prevê a venda de até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano armazenados em tanques e navios.
Empresas de trading como Vitol e Trafigura receberam as primeiras licenças americanas para carregar e exportar cargas do país membro da OPEP.
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Apesar do movimento, os estoques da PDVSA permanecem elevados, acumulados durante o bloqueio americano às exportações de quase um mês. A gigante energética PDVSA, que reduziu a produção por falta de espaço para armazenar o petróleo, ainda não reverteu totalmente esses cortes, aguardando a diminuição dos níveis de armazenamento.
As vendas têm sido lentas devido à resistência das refinarias em aceitar os preços exigidos pelas empresas de trading. Dificuldades na transferência e armazenamento do petróleo retido em diferentes locais também têm dificultado o fluxo, conforme relatam fontes da indústria.
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As ofertas de petróleo bruto Merey, principal produto da Venezuela, para refinarias americanas, apresentavam um desconto entre US$ 6 e US$ 7,50 por barril em relação ao Brent.
As empresas de trading Vitol e Trafigura também fizeram ofertas a refinarias indianas com descontos de US$ 8 a US$ 8,50 por barril em relação ao Brent. Apesar das ofertas, o interesse por parte dos compradores foi limitado. As empresas de trading aumentaram os descontos para cerca de US$ 9 por barril, mas ainda não observaram grande interesse.
Os EUA continuam apreendendo petroleiros ligados à Venezuela no Caribe. As empresas de trading Vitol e Trafigura se recusaram a comentar. A PDVSA não respondeu aos pedidos de comentários. O governo de Curaçao confirmou na semana passada que petróleo venezuelano estava sendo armazenado no país.
Desde 12 de janeiro, quando os dois primeiros petroleiros partiram para terminais de armazenamento nas Bahamas e em Santa Lúcia, cinco outras embarcações os seguiram, transportando petróleo bruto venezuelano para esses portos e para o terminal de Bullen Bay, em Curaçao.
Além dos carregamentos fretados pelas empresas de trading, a Chevron, principal parceira da PDVSA, acelerou os embarques para cerca de 221.000 barris por dia (bpd) neste mês, ante 100.000 bpd em dezembro.
Os volumes de exportação das empresas de trading atingiram cerca de 780.000 bpd desde 12 de janeiro, quando começaram a movimentar carregamentos sob licenças dos EUA. Isso elevou as exportações para cerca de 1 milhão de bpd, próximo aos níveis normais, mas longe de descongestionar os estoques acumulados.
Os preços do petróleo subiram na quarta-feira (21) devido ao otimismo em relação à redução da oferta após a paralisação temporária de dois grandes campos no Cazaquistão e ao fato de os volumes de exportação de petróleo venezuelano evidenciarem o lento progresso na reversão dos cortes de produção da PDVSA.
A produção de petróleo bruto da Venezuela caiu para cerca de 880 mil barris por dia no início de janeiro, ante 1,16 milhão de barris por dia no final de novembro.
