A Riqueza Cultural e Espiritualidade Afro-Caribenha em um Samba-Enredo
O carnaval carioca ganha uma nova dimensão com o samba-enredo da Paraíso de Tuiuti, que nesta edição explora a complexa história da religiosidade afro-caribenha, particularmente através do conceito de “Lonã Ifá Lukumi”. A escola de samba, fundada em 1952, mergulha nas raízes da tradição iorubá, que floresceu em Cuba como resposta à escravidão e à diáspora africana.
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O enredo, encomendado ao professor de história e compositor Luiz Antonio Simas, busca celebrar a riqueza cultural e espiritual que essa herança deixou, conectando-se com a história do Brasil.
A Relevância do Enredo “Lonã Ifá Lukumi”
O título do samba-enredo, “Lonã Ifá Lukumi”, é a chave para compreender a proposta da escola. “Lonã” se refere a conexões e caminhos entre humanos e divindades, enquanto “Lukumi” é uma referência aos descendentes iorubás escravizados em Cuba.
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O “ifá”, segundo o mestre Nei Lopes, é uma forma de religiosidade que une espiritualidade e racionalidade, filosofia e tecnicidade, fundamentando rituais. A publicação “Ifá Lucumí: o resgate da tradição”, de Nei Lopes, serviu de inspiração para o enredo, que busca resgatar essa herança.
A Reconstrução da História em um Desfile
O desfile da Paraíso de Tuiuti será uma viagem no tempo, explorando a chegada do Ifá ao Brasil, que se deu no início da década de 1990 com a vinda ao Rio de Janeiro do babalaô cubano Rafael Zamora Díaz. O enredo detalha a revolta de escravos em Matanzas em 1843, liderada por Carlota Lacumí, e a influência da religiosidade do Ifá na formação da cultura afro-caribenha.
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A escola também aborda a figura de Adeshina Remigio Herrera, o primeiro babalaô do Ifá em Cuba, e a interação entre a espiritualidade dos orixás e a ancestralidade dos povos originários.
O Encerramento Trágico e a Continuidade da Escola
O desfile culminará com a trágica morte do babalaô Rafael Zamora Díaz, assassinado a tiros em 2011. A Paraíso de Tuiuti, com sua história que remonta a 1952, continua a brilhar na elite do carnaval carioca, tendo alcançado o vice-campeonato em 2018.
A escola, com seus desfiles marcados pelas cores azul e amarelo, representa a continuidade de uma tradição que celebra a riqueza da cultura afro-caribenha e a força da comunidade do Morro do Tuiuti.
