Conflito Transfronteiriço Aumenta Tensão na Região
Em uma escalada preocupante das relações bilaterais, o Paquistão lançou ataques a áreas do Afeganistão durante a madrugada desta sexta-feira (27), marcando a primeira vez que o país realizou operações militares diretas contra seus antigos aliados.
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Os ataques, que visavam forças governamentais do Talibã, intensificaram as tensões em uma região já instável, marcada pela presença de armas nucleares. As operações, que se concentraram em cidades estratégicas como Cabul e Kandahar, além da província de Paktia, representam uma ruptura significativa nas relações entre os vizinhos islâmicos.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, declarou que a paciência do governo havia se esgotado, caracterizando a situação como uma “guerra aberta” entre o Paquistão e o Afeganistão. A ação militar surge em meio a uma longa disputa sobre a acusação do Paquistão de que o Afeganistão abriga militantes que executam ataques no território paquistanês.
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O Talibã, por sua vez, negou as acusações, enfatizando que a segurança do Paquistão é uma questão interna.
O Paquistão possui um arsenal nuclear, conferindo-lhe capacidades militares consideravelmente superiores às do Afeganistão. No entanto, o Talibã, com sua experiência em guerra de guerrilha acumulada ao longo de décadas de conflitos com forças lideradas pelos Estados Unidos, representa um desafio significativo.
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A situação é complexa, com a participação de diversos atores internacionais, incluindo Rússia, China, Turquia e Arábia Saudita, que buscam mediar a crise.
Impacto nas Relações Bilaterais
Os confrontos entre as forças paquistanesas e o Talibã, que se intensificaram em outubro, resultaram em um número significativo de baixas militares em ambos os lados. Negociações facilitadas por Turquia, Catar e Arábia Saudita conseguiram, temporariamente, colocar fim às hostilidades.
A recente escalada, no entanto, reacendeu as tensões e levantou preocupações sobre uma possível escalada do conflito.
Relatos e Evidências do Terreno
Testemunhas em Cabul relataram o som de aeronaves e, em seguida, ataques a um local que parecia ser um depósito de armas. Imagens compartilhadas por autoridades paquistanesas mostram clarões à noite, provenientes de disparos ao longo da fronteira, e o som de artilharia pesada.
Um vídeo dos ataques em Cabul, cuja localização a Reuters conseguiu verificar, mostra densas colunas de fumaça preta subindo de dois locais e um grande incêndio em parte da capital.
Número de Vítimas e Danos
O governo paquistanês afirmou que 133 combatentes talibãs afegãos foram mortos e mais de 200 ficaram feridos, com 27 postos destruídos e nove capturados. O Talibã, por sua vez, disse que 55 soldados paquistaneses foram mortos e 19 postos tomados, enquanto oito combatentes talibãs foram mortos, 11 ficaram feridos e 13 civis ficaram feridos na província de Nangarhar.
Ameaças e Medidas de Segurança
O governo da província de Punjab, no Paquistão, afirmou estar em alerta máximo para possíveis ataques de militantes e ter realizado uma série de operações de segurança, levando 90 cidadãos afegãos para centros de detenção para deportação.
A agência de notícias estatal Bakhtar, de Nangarhar, no Afeganistão, divulgou uma imagem do que alegou ser um batalhão de homens-bomba e citou uma fonte de segurança afegã afirmando que os terroristas estavam equipados com coletes explosivos e carros-bomba e preparados para atacar alvos importantes.
Perspectivas e Desafios
A situação continua complexa, com a participação de diversos atores internacionais, incluindo Rússia, China, Turquia e Arábia Saudita, que buscam mediar a crise. A agência de notícias estatal Bakhtar, de Nangarhar, no Afeganistão, divulgou uma imagem do que alegou ser um batalhão de homens-bomba e citou uma fonte de segurança afegã afirmando que os terroristas estavam equipados com coletes explosivos e carros-bomba e preparados para atacar alvos importantes.
