Ascensão da Pandora: Uma Jornada de Sucesso
Em 2021, a chegada do gaúcho Luciano Rodembusch à presidência da Pandora na América do Norte representou um marco estratégico para a joalheria dinamarquesa. Naquele momento, a operação respondia por aproximadamente 19% da receita global da empresa.
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Três anos depois, com uma mudança de foco e uma estratégia bem-sucedida, os Estados Unidos se tornaram o principal motor de crescimento, respondendo por cerca de 40% do faturamento total da companhia. Essa transformação foi impulsionada por uma nova abordagem que valorizava a experiência do cliente, a personalização e a sustentabilidade, elementos que se tornaram diferenciais competitivos no mercado.
Nascido em Camaquã, no Rio Grande do Sul, Rodembusch construiu uma carreira de destaque em multinacionais do setor de consumo e luxo, acumulando quinze anos de experiência em cargos de liderança internacional. Sua gestão na Pandora, iniciada após sua passagem como vice-presidente da Tiffany & Co. nas Américas, acelerou a recompra de franquias e reduziu a participação de lojas franqueadas na operação americana, buscando um controle mais direto sobre a experiência do cliente e uma execução mais ágil da estratégia.
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O crescimento notável da Pandora, que culminou com uma receita global de 31,7 bilhões de coroas dinamarquesas em 2024, em comparação com 19 bilhões em 2020, e um EBIT que saltou de 3,9 bilhões para 8 bilhões no mesmo período, demonstra a eficácia da estratégia implementada.
Essa expansão, liderada pelos Estados Unidos, onde a margem operacional se mantém próxima de 25%, solidifica a posição da Pandora como a maior marca de joias do mundo e a principal produtora do setor.
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A Loja como Centro da Estratégia
A aposta central da Pandora continua sendo o varejo presencial, com lançamento de seis a oito coleções por ano, que sustentam o tráfego recorrente nas lojas. Nos Estados Unidos, todas as unidades contam com máquinas de gravação que permitem personalizar joias na hora, oferecendo aos clientes a possibilidade de gravar frases, desenhar símbolos ou carregar imagens digitais diretamente na peça.
Essa personalização também se estende ao digital, com encomendas feitas pelo site e entrega em até 48 horas, impulsionando a estratégia omnichannel.
O canal online é tratado como complementar, enquanto a loja permanece como espaço de relacionamento e construção de marca. A operação de outlets também segue essa lógica, com cerca de 80% das vendas ocorrendo a preço cheio, sustentadas por storytelling e montagem guiada de braceletes completos.
Essa abordagem garante que a experiência de compra seja completa e memorável, reforçando o valor da marca Pandora.
Produção Verticalizada
A escala industrial é um pilar fundamental do modelo de negócios da Pandora. Cerca de 98% das joias são produzidas internamente em fábricas próprias na Tailândia, onde aproximadamente 10 mil artesãos passam por quase um ano de treinamento antes de iniciar na linha de produção.
Todas as pedras são cravadas manualmente e as peças coloridas são pintadas à mão, garantindo a qualidade e o cuidado em cada detalhe.
Em 2024, a Pandora produziu 113 milhões de joias e cravou mais de 2 bilhões de pedras, demonstrando a capacidade de produção e a expertise da empresa. A verticalização garante controle de qualidade e protege margens em um setor sensível às oscilações do preço de metais preciosos.
A adoção de ouro e prata reciclados e diamantes de laboratório, produzidos com energia 100% renovável, reforça o compromisso da Pandora com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental.
Sustentabilidade e Inovação
A origem dinamarquesa da Pandora, aliada à sustentabilidade, tornou-se um motor de reputação e vendas, especialmente entre consumidores mais jovens. A empresa entrou no ranking das 100 marcas mais valiosas do mundo em 2025 e figura entre as companhias mais bem avaliadas em índices globais de ESG.
A Pandora soma cerca de 37 mil funcionários e opera mais de 6.800 pontos de venda.
Para Rodembusch, a combinação entre escala industrial, controle da experiência e construção de marca explica o crescimento recente. A ambição agora é consolidar a Pandora como referência em joalheria sustentável e personalizável na próxima década, mantendo os Estados Unidos como principal alavanca dessa expansão.
