Risco Raro de Pancreatite em Pacientes que Usam Análogos de GLP-1
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu um alerta sobre um risco raro, mas grave, de pancreatite aguda em pacientes que utilizam análogos de GLP-1 e/ou GIP. Medicamentos como a tirzepatida (ingrediente ativo do Mounjaro) e a semaglutida (presente no Ozempic e Wegovy) estão incluídos nessa categoria.
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A agência ressalta que, embora a pancreatite aguda seja um efeito colateral conhecido e infrequente, em casos extremamente raros, as complicações podem ser severas, incluindo pancreatite necrosante e, em casos mais graves, fatal.
Sintomas e Atenção
Os principais sintomas incluem uma dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. A MHRA alerta que a pancreatite pode ser difícil de identificar nos estágios iniciais, pois os primeiros sintomas podem ser confundidos com outros problemas gastrointestinais comuns associados ao uso desses medicamentos ou com infecções.
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A agência enfatiza a importância de estar atento aos sinais e procurar atendimento médico urgente caso sejam apresentados.
Dados da MHRA e Pesquisa UCL
Entre 2007 e outubro de 2025, a MHRA recebeu 1.296 notificações de pancreatite associada a esses medicamentos, com 19 casos fatais e 24 relatados como pancreatite necrosante. Uma pesquisa recente da University College London (UCL) estima que 1,6 milhão de adultos na Inglaterra, País de Gales e Escócia utilizaram semaglutida e tirzepatida entre o início de 2024 e o início de 2025 para fins de perda de peso.
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Essa pesquisa destaca a crescente utilização desses medicamentos para este fim.
Opinião do Endocrinologista Bruno Halpern
O endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e diretor do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), comenta que o risco de pancreatite é conhecido desde o lançamento da primeira molécula dessa classe, há 20 anos. “Desde o lançamento da primeira molécula dessa classe, já se discute sobre pancreatite como o efeito colateral mais grave dessas medicações”, explica Halpern. “Ao longo desses 20 anos já saíram dezenas de estudos e não fica claro se esse risco é realmente maior por causa da medicação.”
Relação com Perda de Peso e Cálculos Biliares
Halpern explica que uma grande perda de peso, facilitada e mais frequente com o uso desses medicamentos, pode levar a cálculos de vesícula biliar, que podem migrar e causar pancreatite. “Esses medicamentos estão se popularizando, e tem muita gente que não tem indicação e utiliza para perda de peso por estética”, comenta o médico. “Então, são medicamentos bons, mas, ainda assim, têm o seu perfil de risco-benefício, e existem efeitos colaterais raros, que podem ser graves e nem todos eles são absolutamente conhecidos.”
Considerações para Pacientes com Histórico de Pancreatite
Halpern ressalta que pacientes com histórico de pancreatite foram excluídos dos estudos clínicos, o que dificulta a avaliação do risco desses medicamentos. “Se a causa da pancreatite foi um cálculo de vesícula, e a vesícula foi retirada, o risco (das canetas causarem outra pancreatite) é menor.
Se a causa da pancreatite foi triglicérides alto, esses remédios vão inclusive baixar (triglicérides), então pode utilizar. Agora, se for uma pancreatite de causa desconhecida, aí o cuidado vai ser um pouco maior (pode não ser indicado usar semaglutida ou tirzepatida)”, explica o endocrinologista.
Conclusão
A utilização desses medicamentos deve ser sempre sob prescrição médica e com indicação clínica, considerando o perfil de risco-benefício e a possibilidade de efeitos colaterais raros, mas graves.
