Ouro sobe com tensões globais: Trump e FMI impulsionam demanda por ativo seguro. Investidores buscam proteção contra instabilidade e desvalorização
O aumento das tensões geopolíticas representa um dos principais vetores de influência no mercado de ouro. Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a possibilidade de tarifas de até 25% sobre exportações de países membros da OTAN, como Dinamarca, Noruega, Alemanha e Reino Unido, em resposta a conflitos diplomáticos envolvendo a Groenlândia.
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Essa declaração provocou uma reação imediata no mercado financeiro.
O ouro registrou um salto para US$ 4.668 poucas horas após o anúncio, impulsionado pela busca de investidores por ativos considerados mais seguros. A situação econômica global, marcada por instabilidades, também contribui para o interesse no metal precioso.
Outros fatores de instabilidade, como a falta de resolução do conflito entre Ucrânia e Rússia, as pressões econômicas no Irã, os riscos de intervenção na Venezuela e a possibilidade de um “shutdown” do governo americano, intensificaram a demanda por instrumentos de proteção contra a inflação e a desvalorização cambial.
Além do cenário político, o ouro se beneficia de uma mudança estrutural nas reservas internacionais. Devido ao congelamento de ativos russos pela União Europeia, diversos bancos centrais têm reduzido sua exposição ao dólar americano. O ritmo de compras de ouro aumentou significativamente, elevando a participação do metal em cerca de 20% das reservas globais, superando o euro e os títulos do Tesouro dos EUA, com o dólar mantendo a liderança.
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Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), se países com reservas abaixo de 10% em ouro decidirem aumentar essa porcentagem, seriam necessárias aproximadamente 1.200 toneladas adicionais, mesmo com um preço estimado de US$ 5.000 por onça.
Entre os investidores, o interesse no ouro também cresceu. Fundos, ETFs e famílias de alta renda ampliaram suas posições em ouro como forma de proteção contra a volatilidade econômica. Os ETFs ocidentais adicionaram cerca de 500 toneladas em posições líquidas desde 2025.
O mercado de futuros também demonstra expectativa de alta, com posições compradas em expansão. A desvalorização do dólar, que registrou uma queda de 9% em 12 meses, e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve no segundo semestre, também favorecem o metal.
Com juros mais baixos, o custo de oportunidade de manter ouro – que não gera rendimentos – diminui, e a demanda tende a aumentar. A procura continua forte. No terceiro trimestre de 2025, bancos centrais e investidores compraram um total combinado de 980 toneladas, o equivalente a cerca de US$ 109 bilhões, segundo dados do J.P.
Morgan.
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