Operação Resgate transforma Cracolândia em São Paulo. Vice-governador Felício Ramuth detalha estratégia inovadora que prioriza recuperação e reinserção social. A operação combina dados, tecnologia e ações coordenadas para reduzir o uso de drogas
A cena de uso de drogas que por décadas marcou a Cracolândia, no centro de São Paulo, deixou de existir e não retornará. A transformação, liderada pelo vice-governador Felício Ramuth, é resultado de uma estratégia multifacetada que combinou dados, ações coordenadas e uma abordagem inovadora.
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Em entrevista exclusiva à EXAME, Ramuth detalha os passos cruciais que levaram a esse marco, demonstrando que a solução não reside em simplesmente “expulsar” os usuários, mas sim em oferecer um caminho de recuperação e reinserção social.
O Fim da “Torneira Aberta”
Ramuth explica que a Cracolândia se mantinha ativa devido à “torneira aberta” – a chegada constante de novos usuários, alimentada pela ausência do Estado. A estratégia inicial foi interromper essa dinâmica, focando em coletar dados e entender a realidade do problema.
A “Operação Resgate” foi o ponto de partida, com equipes que se aproximavam dos usuários, registrando seus dados, identificando suas origens e mapeando suas necessidades.
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Dados como Ferramenta de Gestão
A coleta de dados revelou informações cruciais: 60% dos frequentadores da Cracolândia eram de fora de São Paulo, com alta rotatividade; 15% eram usuários constantes, com dependência mais forte; e 85% tinham passagem pelo sistema penitenciário e 60% descumprindo medidas judiciais.
Essa análise permitiu direcionar ações específicas para cada grupo, com foco na reintegração social e no tratamento da dependência.
A Coordenada Frente de Trabalho
O governo estadual estabeleceu uma frente integrada entre segurança, saúde e assistência social, com reuniões semanais e mensais entre os setores. Essa articulação foi fundamental para evitar a fragmentação das ações e garantir a sinergia entre os diferentes níveis de atuação.
Reconhecimento Facial e Monitoramento Constante
A tecnologia também desempenhou um papel importante. A instalação de câmeras e o monitoramento do tráfego de usuários permitiram identificar os pontos críticos e direcionar as equipes de segurança. O reconhecimento facial, em conjunto com o mapeamento dos usuários, possibilitou uma atuação mais eficiente e personalizada.
Reintegração Social e Oportunidades de Trabalho
A estratégia não se limitou ao tratamento da dependência. O Programa Operação Trabalho (POT) oferece aos usuários que concluem o tratamento a oportunidade de trabalhar na Prefeitura, recebendo um salário e adquirindo habilidades para o mercado de trabalho.
Além disso, o Prevenir, com 11 unidades, oferece orientação e apoio às famílias dos usuários, ajudando-os a superar o preconceito e a oferecer suporte à recuperação.
Um Modelo Comprovado e em Expansão
A experiência da Cracolândia serviu de base para a criação de um modelo de gestão que está sendo expandido para outras regiões do estado. A estratégia, que combina dados, tecnologia, ações coordenadas e oportunidades de reinserção social, demonstrou ser eficaz na redução da cena de uso de drogas e na promoção da recuperação dos usuários.
O Futuro da Política Estadual sobre Drogas
A regulamentação da Política Estadual sobre Drogas, criada em 2019, garante a continuidade da estratégia e sua expansão para outras regiões do estado. O objetivo é consolidar um modelo de gestão que prioriza a recuperação dos usuários, a prevenção do consumo de drogas e a promoção da dignidade humana.
Em resumo, a transformação da Cracolândia é um exemplo de como a inteligência, a coordenação e a empatia podem ser combinadas para enfrentar um dos maiores desafios da sociedade: a dependência química.
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