Violência Armada Perde Prioridade na Agenda da OMS
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem demonstrado uma diminuição no foco da violência armada em sua programação. Um relatório divulgado nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, revela que apenas 39 resoluções da Assembleia Mundial da Saúde mencionaram a violência de forma genérica.
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Curiosamente, nenhuma das resoluções abordou explicitamente o uso de armas de fogo.
Uma iniciativa, a Coalizão Global para a Ação da OMS sobre Violência Armada, analisou mais de 3.200 resoluções do organismo, abrangendo o período de 1948 a 2024. O projeto é liderado por instituições diversas e conta com a participação de pesquisadores das áreas da saúde e de gênero, buscando uma análise aprofundada do problema.
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O estudo aponta que a ausência do tema nas discussões sobre saúde pública ocorre em um momento crítico, considerando que a violência armada é uma das principais causas de morte de crianças e adolescentes em diversos países ao redor do mundo. Estima-se que mais de 250 mil pessoas morrem anualmente devido ao uso de armas de fogo.
O cenário mais preocupante se observa em países das Américas, do Caribe e do Sul da África, onde o disparo de arma de fogo é a causa mais comum de morte entre jovens de 1 a 19 anos, em países como México, Brasil, Colômbia e Estados Unidos. Além das mortes, há um número significativo de feridos e um aumento no risco de desenvolvimento de transtornos de ansiedade e outros problemas de saúde mental.
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O relatório reconhece que a OMS teve um papel importante nas décadas de 1990 e 2000 ao considerar a violência como uma questão de saúde pública, publicando estudos de referência e incentivando abordagens preventivas. No entanto, a coalizão argumenta que a organização poderia ter uma resposta global mais assertiva, similar àquela que implementou com o tabaco e a segurança no trânsito.
Para solucionar essa lacuna, o estudo recomenda a adoção de uma resolução específica da Assembleia Mundial da Saúde sobre violência armada, a criação de um observatório global de dados sobre mortes e feridos por armas de fogo, e a inclusão do tema em estratégias já existentes na OMS.
A coalizão enfatiza que é “essencial” recolocar a violência armada na agenda da saúde pública, visando implementar políticas públicas mais consistentes, integradas e eficazes.
