Oceanos atingem níveis recorde de calor; alerta científico confirma aceleração do aquecimento global
Um estudo recente acendeu um sinal de alerta: a temperatura dos oceanos atingiu o nível mais alto já registrado por instrumentos modernos. A pesquisa, conduzida pela Academia Chinesa de Ciências e divulgada no periódico Advances in Atmospheric Sciences, revela uma aceleração preocupante na absorção de calor pelos mares, impulsionada pela queima de combustíveis fósseis.
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O conteúdo de calor oceânico (OHC), que mede a energia térmica acumulada até 2 mil metros de profundidade, nunca esteve tão elevado.
Entre 2024 e 2025, o oceano absorveu cerca de 23 zettajoules a mais de energia. Outros centros de pesquisa confirmam essa tendência: o CIGAR-RT estima um aumento de 20 zettajoules e o Copernicus Marine indica um ganho de até 70 zettajoules. Para contextualizar, 23 zettajoules representam quase 200 vezes toda a eletricidade gerada no mundo durante 2025 – uma quantidade de energia de difícil visualização.
O aquecimento está se acelerando. A taxa de ganho de calor oceânico saltou de 0,14 watts por metro quadrado por década (no período 1960–2025) para 0,32 watts por metro quadrado por década (entre 2005–2025) – mais que o dobro. Em 2025, marca o nono ano consecutivo de recordes de OHC, uma sequência que se estende desde 2017.
A Organização Meteorológica Mundial confirmou que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado para a superfície do mar, com uma anomalia de 0,49°C acima da média histórica de 1981–2010. Curiosamente, a superfície oceânica em 2025 ficou 0,12°C mais fria que em 2024 – uma contradição explicada pelo fenômeno La Niña, que resfria as águas superficiais do Pacífico equatorial.
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No entanto, esse resfriamento superficial esconde uma realidade mais sombria: o calor continua sendo empurrado para as camadas mais profundas do oceano.
O La Niña, com seus ventos fortes e processos de ressurgência, facilita a entrada de calor da atmosfera nas profundezas oceânicas, um fenômeno chamado de “deepening” da termoclina – a camada que separa águas quentes superficiais das águas frias do fundo.
Cerca de 14% da área oceânica do planeta atingiu seu estado mais quente já registrado em 2025. Aproximadamente 33% da superfície marinha viveu uma das três temperaturas mais altas desde o início dos registros em 1958, e mais da metade – 57% dos oceanos – ficou entre as cinco mais quentes da história.
Os pontos críticos de aquecimento em 2025 incluem o Oceano Atlântico tropical e Sul, o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico Norte e os oceanos austrais.
Apenas algumas áreas registraram resfriamento localizado, como o Pacífico equatorial central (pelo La Niña) e o sudoeste do Índico (por processos de divergência de Ekman, onde ventos empurram águas superficiais para longe, permitindo a subida de águas frias do fundo).
O planeta está acumulando calor.
A Organização Meteorológica Mundial reforçou um dado alarmante: 90% do excesso de calor provocado pelo efeito estufa está parado nos oceanos. Eles funcionam como uma espécie de “bateria” climática, mas com capacidade limitada.
Em 2025, as concentrações de gases de efeito estufa atingiram níveis recordes, alimentando esse desequilíbrio energético da Terra – a diferença entre a energia solar que o planeta recebe e a que consegue devolver ao espaço. O saldo positivo significa que o sistema terrestre está acumulando calor de forma contínua.
Um fator adicional contribuiu para o aquecimento acelerado em 2025: a redução de aerossóis de sulfato na atmosfera. Essas pequenas partículas, geralmente provenientes da poluição industrial e da queima de combustíveis, refletem parte da luz solar de volta ao espaço, ajudando a esfriar o planeta.
Com menos aerossóis no ar, mais calor penetra nos oceanos.
As consequências já são visíveis além dos mares. Em 2025, o Ártico atingiu sua menor extensão máxima de já registrada. A Antártida registrou a terceira menor extensão mínima e máxima anual desde o início da era satelital. As camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida alcançaram níveis recordes de baixa massa, contribuindo diretamente para o aumento do nível do mar.
Catástrofes em cadeia O calor oceânico recorde teve impactos devastadores ao redor do mundo em 2025. No Sudeste Asiático — Indonésia, Sri Lanka, Tailândia e Vietnã —, enchentes catastróficas em novembro mataram mais de 1.350 pessoas. No Texas, inundações em julho causaram 138 mortes.
Na Europa, um domo de calor elevou as temperaturas acima de 48°C. No Canadá, incêndios florestais queimaram mais de cinco milhões de hectares. Na América do Norte, . Todos esses eventos extremos estão conectados ao calor acumulado nos oceanos, que influencia padrões atmosféricos e alimenta fenômenos meteorológicos cada vez mais intensos.
Mesmo que o mundo parasse de queimar combustíveis fósseis hoje, o calor já armazenado nos oceanos continuaria influenciando o clima por décadas. A água, quando aquecida, demora muito tempo para esfriar – os oceanos funcionam como uma enorme piscina térmica que libera energia gradualmente para a atmosfera.
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