Nutricionista alerta: Diretrizes Alimentares EUA focam em hábitos, não proibições

Governo americano lança novas Dietary Guidelines, com foco em alimentos integrais e redução de ultraprocessados. Nutricionista Felipe Daun alerta: mudança de hábitos depende de fatores contextuais

2 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

A divulgação das Diretrizes Alimentares para Americanos (Dietary Guidelines for Americans 2025-2030) representou um marco significativo na política alimentar dos Estados Unidos. O documento centraliza sua mensagem principal na priorização de alimentos integrais, na redução do consumo de ultraprocessados e de açúcar adicionado, e no reequilíbrio do papel de proteínas, gorduras e carboidratos na alimentação diária.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Análise de Especialistas

Para o governo americano, a diretriz se apresenta como um guia simples e direto. No entanto, especialistas como o nutricionista Felipe Daun, do Instituto Nutrição Comportamental, destacam que o verdadeiro impacto reside na forma como o documento comunica as prioridades.

Daun enfatiza que nenhuma mensagem, por mais bem elaborada que seja, consegue, sozinha, gerar mudanças duradouras nos hábitos alimentares em larga escala. Ele ressalta que as diretrizes servem como um guia, mas a mudança de comportamento depende de fatores contextuais, incluindo rotina, acesso, cultura, emoções, relações com a comida e o ambiente alimentar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Recomendações de Proteínas e Gorduras

Um dos pontos mais comentados da nova pirâmide alimentar é o aumento da recomendação diária de proteínas, que varia entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal, com ênfase em fontes animais integrais. Daun adverte para uma leitura cautelosa dessa mudança.

Ele explica que o reposicionamento não implica em permissão para o que era anteriormente proibido. As diretrizes anteriores não impunham restrições, e o equilíbrio alimentar não se baseia em proibições. Daun observa que a recomendação anterior estava mais focada na prevenção de deficiências nutricionais do que na otimização do consumo alimentar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

LEIA TAMBÉM!

Carboidratos e Ultraprocessados

No debate sobre gorduras, o novo guia mantém o limite de até 10% das calorias diárias provenientes de gorduras saturadas, mas utiliza uma linguagem mais direta ao destacar alimentos integrais, como laticínios e abacate, como fontes possíveis. Daun evita a interpretação de permissividade.

Ele argumenta que a dicotomia entre “permitido ou proibido” é prejudicial à saúde pública e à mudança de comportamento alimentar. Daun considera que, do ponto de vista técnico, não houve uma ruptura significativa em relação às recomendações anteriores.

O documento elege os ultraprocessados como alvo explícito, uma abordagem alinhada com debates em outros países, incluindo o Guia Alimentar para a População Brasileira.

Apesar disso, Daun reforça que diretrizes não operam milagres. Elas orientam políticas públicas e programas institucionais, mas a mudança de hábito acontece quando essas recomendações encontram condições concretas de aplicação.

Sair da versão mobile