Novas Normas Priorizam Saúde Mental no Trabalho
A partir de maio deste ano, a atualização da Norma Regulamentadora (NR) 1 passa a reconhecer oficialmente os riscos psicossociais, elevando-os para o centro das obrigações legais das empresas. Essa mudança representa um avanço significativo, pois deixa de ser apenas uma pauta de bem-estar e se torna uma questão de negócio, sujeita a auditorias, fiscalização e multas.
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A advogada trabalhista Yara Leal Girasole destaca que “a NR-1 é, hoje, uma resposta de socorro para um cenário de adoecimento coletivo, principalmente ligado à saúde mental”.
Impacto Global e Crescimento de Medicamentos
A crescente prevalência de transtornos mentais no ambiente de trabalho tem um impacto global significativo. A Organização Mundial da Saúde estima que ansiedade e depressão causam a perda de cerca de 12 bilhões de dias úteis por ano, gerando um impacto econômico de aproximadamente US$ 1 trilhão.
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No Brasil, em 2024, o INSS concedeu cerca de 470 mil licenças médicas por transtornos mentais, o maior volume registrado na última década. O custo do adoecimento, que antes era invisível, agora se torna um fator direto no bolso das empresas.
Novas Exigências e o Programa de Gerenciamento de Riscos
A partir de maio de 2026, as empresas deverão responder por fatores como estresse crônico, sobrecarga emocional, falta de clareza de papéis, metas irreais, ambientes de medo e relações deterioradas. O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) passa a exigir a inclusão explícita dos riscos psicossociais.
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A advogada Yara Leal Girasole enfatiza que “o PGR deixa de ser um documento técnico restrito à segurança física e passa a refletir a cultura da empresa. Não basta reconhecer que uma área tem alto nível de estresse. Será preciso demonstrar quais ações estão sendo adotadas para reduzir esse risco”.
Investimento em Letramento Emocional e Sustentabilidade no Trabalho
Para atender às novas exigências, especialistas defendem investir no letramento emocional das lideranças. A psicóloga organizacional Patricia Ansarah, fundadora do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP), ressalta que “falar de risco psicossocial é falar de habilidade relacional, energia psíquica, qualidade das conversas, conflitos produtivos e também dos silêncios organizacionais”.
Além disso, a tendência de priorizar o bem-estar em detrimento do trabalho como principal foco profissional, impulsionada por estudos que mostram que estabilidade financeira, flexibilidade, autonomia e tempo para a vida pessoal são hoje as maiores prioridades, reforça a importância de uma gestão que promova o trabalho sustentável.
Conclusão
A atualização da NR-1 marca uma virada simbólica no país: o cuidado emocional deixa de ser apenas uma boa prática e passa a integrar oficialmente as responsabilidades das empresas. Para organizações que desejam se manter competitivas, a mensagem é clara — saúde mental não é mais opcional, é parte da gestão de riscos.
