Nova Era de Riqueza: Jovens Líderes Redefinem o Legado Familiar

Transferência de Riqueza: Uma Nova Era de Responsabilidade
Nas próximas três décadas, o mundo testemunhará a maior transferência de riqueza da história moderna, um evento estimado em US$ 83 trilhões (R$ 413,47 trilhões), conforme revelado pelo relatório Global Next Generation Report, elaborado pelo UBS.
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Essa transformação colossal, no entanto, desafia as expectativas tradicionais sobre herdeiros e a simples repasse de ativos financeiros. A nova geração demonstra uma postura ativa, assumindo o legado familiar e a responsabilidade de perpetuar esse patrimônio, com preocupações que transcendem as flutuações do mercado.
Yuri Freitas, head da área de planejamento patrimonial do UBS Global Wealth Management, destaca que a nova geração está menos focada em reações imediatas ao mercado e mais direcionada a enfrentar questões estruturais de longo prazo. Suas prioridades refletem uma mudança de perspectiva, com foco em tecnologia e inteligência artificial (62%), desigualdade social e pobreza (49%) e educação (41%). “Observamos que esses novos líderes estão redefinindo o sucesso dos negócios familiares, não apenas preservando o legado, mas moldando um futuro mais sustentável e equitativo”, afirma Tasos Zavitsanakis, responsável por Transição de Clientes e Engajamento de Negócios, Escritório de Sustentabilidade, do UBS.
Evolução Histórica e Estratégica
A passagem de bastão deixa de ser vista como um evento inevitável, transformando-se em uma decisão estratégica. Famílias que se prepararam para essa transição colhem os frutos, enquanto aquelas que não o fizeram enfrentam desafios significativos.
A nova geração é mais educada financeiramente, atenta a temas como governança e possui maior exposição a experiências internacionais, viajando mais e mantendo contato frequente com pares ao redor do mundo.
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Fontes de Aconselhamento e Comunicação
Em vez de buscar orientação em fontes tradicionais, a nova geração prioriza o aconselhamento de seus pares (27%), superando gestores de patrimônio (21%), consultores fiscais (16%) e advogados (14%). Entre os mais jovens (22 a 25 anos), a dependência de pares chega a 57%.
Mais de metade dos herdeiros (56%) gostaria que as conversas sobre riqueza tivessem começado mais cedo, na infância ou adolescência, e 33% apontam falhas na comunicação como principal causa de tensões no processo sucessório.
Governança Familiar e Planejamento Estratégico
O UBS ressalta que uma transferência de patrimônio bem-sucedida exige planejamento antecipado e organizado, que reflita as dinâmicas de cada família, estabeleça estruturas de governança e arcabouço jurídico, e sustente a transição em uma visão compartilhada de longo prazo.
Menos de 25% das famílias possuem estruturas formais, como protocolos ou fóruns periódicos de discussão, mas entre aquelas que adotam práticas de governança, 74% já iniciaram o processo de transferência de riqueza. A ressignificação da sucessão como um processo estratégico, que começa muito antes da transferência em si, é fundamental para o sucesso.
Risco Seletivo e Propósito
A nova geração demonstra cautela em relação a riscos que não compreende, com 79% dos portfólios ainda ancorados em investimentos tradicionais, como ações, títulos e fundos passivos. No entanto, cerca de 37% já alocam ou desejam investir em investimentos de impacto e sustentabilidade (ESG), acompanhando o desempenho e mensurando resultados.
O entusiasmo com ativos digitais, como criptomoedas, é limitado, com apenas 11% alocando nesse setor devido à falta de previsibilidade e segurança.
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