Risco Invisível: A Exposição ao BPA em Dispositivos Médicos
A presença do bisfenol A (BPA) em materiais plásticos é um tema que tem ganhado crescente atenção. Por cerca de 15 anos, o BPA tem sido removido de produtos como mamadeiras e recipientes para aquecimento de alimentos, devido a preocupações com seus efeitos na saúde.
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Essa substância, classificada como disruptor endócrino, pode interferir no sistema hormonal humano, causando potenciais danos à reprodução, ao fígado, ao pâncreas e à tireóide, especialmente em fetos. A preocupação se intensifica quando consideramos a exposição a pacientes hospitalizados.
Estudo Revela Níveis Elevados de BPA em Pacientes
Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) investigou a exposição de pacientes a dispositivos médico-hospitalares ao BPA. A equipe de pesquisadores analisou mais de 7.100 artigos científicos, envolvendo 2.305 pacientes.
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O estudo, publicado no periódico Environmental Toxicology and Pharmacology, utilizou uma metodologia rigorosa, conhecida como PICO (Paciente, Intervenção, Comparação e Desfecho), para focar na relação entre o uso de dispositivos médicos e os níveis de BPA detectados no sangue e na urina dos pacientes.
Os resultados apontaram para níveis significativamente elevados de BPA em pacientes expostos a esses dispositivos, independentemente da idade ou da via de administração.
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Limitações e Necessidades Futuras
Apesar da importância do estudo, a equipe de pesquisadores identificou algumas limitações, como a ausência da medição dos níveis basais de BPA nos pacientes antes da exposição. Isso ressalta a necessidade de novos estudos que forneçam evidências mais consistentes sobre essa exposição e suas consequências para a recuperação dos pacientes.
Além disso, a falta de padronização na obtenção de amostras e a possibilidade de contaminação pelos próprios dispositivos plásticos utilizados na coleta representam desafios adicionais. A equipe também destaca a carência de estudos toxicológicos que determinem margens de segurança para a exposição ao BPA.
BPA-Free: Uma Solução Real?
Atualmente, a indústria tem substituído o BPA por análogos comerciais, como o BPS, o BPF e o BPAF, que são comercializados como “livres de BPA” (BPA-free). No entanto, a segurança desses substitutos ainda não foi totalmente avaliada, e a equipe de pesquisadores alerta para a necessidade de cautela.
Acreditam que tornar visível o risco associado à exposição ao BPA é o primeiro passo para garantir que os dispositivos médicos se tornem mais seguros, e defendem o investimento em mais pesquisas, o desenvolvimento de alternativas seguras e a revisão de práticas com base em evidências científicas.
