Nilva da Cunha Lima: Da Seringa Amazônica à Borracha nos Tênis Veja

Nilva da Cunha Lima: da seringa aos tênis Veja! Descubra a jornada surpreendente por trás da marca que une sustentabilidade e tradição familiar. 🌿👟

30/04/2026 17:43

3 min

Nilva da Cunha Lima: Da Seringa Amazônica à Borracha nos Tênis Veja
(Imagem de reprodução da internet).

A Jornada da Veja: Da Seringa ao Tênis

Antes das nove da manhã, Nilva da Cunha Lima já percorria a estrada de seringa, um trabalho que aprendeu desde criança com a mãe. Ela se movia com agilidade pela floresta, realizando cortes nos troncos das árvores para extrair o látex, um processo que transformava a seiva em um material precioso, escoando-se em pequenos recipientes presos à casca.

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“Com oito anos, eu já andava nessas estradas com a minha mãe”, relatava Nilva, demonstrando a continuidade de uma tradição familiar que se entrelaçava com a produção de borracha. Essa rotina diária, que começava antes do sol nascer, era a base para a fabricação da borracha utilizada nos tênis da marca Veja, criada em 2004.

A Origem da Marca Veja

A marca Veja surgiu com uma proposta diferente: valorizar a produção sustentável e justa. Fundada pelos franceses Sébastien Kopp e François-Ghislain Morillion, a empresa nasceu da observação das condições precárias de trabalho em fábricas da Ásia, África e América do Sul.

A decisão foi romper com o modelo tradicional, estabelecendo uma cadeia de produção própria, com foco em produtores diretos e menos intermediários.

O Brasil foi escolhido como local de produção, em parte devido à disponibilidade de algodão orgânico cultivado no Ceará, que abastecia a produção dos tecidos utilizados nos tênis. A marca Veja hoje produz mais de 3,5 milhões de pares de tênis por ano, todos fabricados no Brasil, com a borracha proveniente da Amazônia e o algodão do Ceará.

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A Complexidade da Produção

A produção dos tênis Veja envolve uma complexa cadeia produtiva, que exige coordenação entre diferentes etapas e regiões. A borracha, coletada por famílias extrativistas como a de Nilva, passa por um primeiro tratamento em cooperativas locais antes de ser integrada à produção industrial.

O algodão, por sua vez, é transformado em tecido em fiações e tecelagens do Nordeste.

Luciana Batista Pereira, responsável por coordenar todas essas etapas, descrevia o desafio de organizar essa cadeia, destacando que “não é uma cadeia simples de organizar”. Qualquer mudança em uma etapa impacta o restante do processo, exigindo acompanhamento constante e flexibilidade.

Um Compromisso com a Sustentabilidade

A Veja optou por manter essa estrutura complexa, mesmo diante do crescimento da marca, como uma decisão estratégica. A empresa valoriza a transparência e o conhecimento do processo produtivo, buscando minimizar o impacto ambiental e social de suas operações.

A utilização de garrafas PET recicladas, feitas sem o uso de água, é um exemplo dessa preocupação.

A marca Veja busca mostrar para o mundo a origem de seus produtos, através de documentários que acompanham a jornada da borracha e do algodão, desde a floresta amazônica até a loja na rua Oscar Freire em São Paulo. Essa iniciativa visa reduzir a distância entre o consumidor e a produção, promovendo uma relação mais consciente e transparente.

Autor(a):

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