Nicolás Maduro e Cilia Flores participam de primeira audiência nos EUA contra acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas, sob supervisão do juiz Alvin K. Hellerstein
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores, comparecerão nesta segunda-feira, 5, à sua primeira audiência nos Estados Unidos, conforme confirmaram fontes judiciais à Agência EFE. A operação é vista pela imprensa americana como a maior intervenção dos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.
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De acordo com informações, ambos serão apresentados ao juiz federal Alvin K. Hellerstein em Manhattan, às 12h no horário local (14h em Brasília). Em audiências iniciais, os acusados geralmente passam por uma leitura formal das acusações, verificação de identidade e definição de aspectos preliminares do processo, incluindo a possibilidade de prisão preventiva e a escolha de advogados.
O casal está detido desde a noite de sábado no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, uma prisão federal de alta segurança. Eles enfrentam quatro acusações federais: conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir esses mesmos artefatos em apoio a atividades criminosas, além de colaborar com organizações criminosas classificadas como terroristas por Washington.
As acusações, formuladas em 2020 pela Promotoria do Distrito Sul de Nova York, indicam que Maduro teria liderado, por anos, uma rede que utilizava o tráfico de drogas como arma contra os Estados Unidos. Cilia Flores é acusada de participar de operações de apoio logístico e financeiro à mesma estrutura criminosa.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, divulgou, no último domingo, 4, em X, um comunicado conjunto com o Departamento de Justiça, o FBI e a Agência Antidrogas sobre a operação que permitiu a captura de Maduro e sua esposa. A ação exigiu meses de planejamento e visava garantir o transporte seguro dos acusados ao país para responder às acusações federais.
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O comunicado ressaltou que todos os procedimentos foram realizados “em estrita conformidade com a lei americana” e que a missão apoiou “uma investigação criminal em andamento relacionada ao tráfico de drogas e crimes conexos”, que, segundo Washington, “contribuem para a violência e a crise das drogas na região”.
Bondi acrescentou que “todas as opções legais foram exploradas para resolver a situação de forma pacífica” e atribuiu a responsabilidade pelo desfecho à “persistência na conduta criminosa” dos acusados.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ofereceu-se no último domingo para colaborar com os Estados Unidos em uma agenda voltada ao “desenvolvimento compartilhado”. Em publicação nas redes sociais, Rodríguez afirmou que o governo venezuelano prioriza uma transição para relações respeitosas com Washington.
O interesse americano no petróleo da Venezuela está relacionado à vasta produção do país, estimada em 303 bilhões de barris. Donald Trump exigiu “acesso total” aos recursos naturais do país e afirmou que grandes petrolíferas americanas investirão bilhões de dólares para reconstruir a indústria venezuelana.
A produção atual está em torno de 800 mil barris por dia, bem abaixo dos níveis registrados no fim dos anos 1990.
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