Nevasca em Nova York: Clima em Extremos! A intensa nevasca reacende o debate sobre a crise climática. Saiba mais!
A forte nevasca que atingiu Nova York e outros estados do Nordeste dos Estados Unidos reacendeu um debate: a intensidade do frio desmentiria a crise climática. No entanto, a ciência apresenta uma perspectiva diferente. O planeta já registrou um aquecimento de 1,3°C a 1,5°C em comparação com o período pré-industrial, conforme demonstrado por medições de organismos internacionais.
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Essa é uma média global de longo prazo, e eventos climáticos isolados não alteram essa tendência fundamental.
O aquecimento global não implica necessariamente a ausência de frio. Trata-se de uma alteração no equilíbrio energético do sistema climático. Uma atmosfera mais quente consegue reter mais vapor d’água – cerca de 7% a mais para cada grau adicional de aumento.
Esse aumento na umidade intensifica o ciclo hidrológico, influenciando diretamente os padrões de precipitação.
Em regiões onde a temperatura está acima de zero, a consequência é geralmente o aumento da intensidade das chuvas. Em áreas onde a temperatura permanece abaixo de zero, pode ocorrer a formação de neve volumosa. No Nordeste dos Estados Unidos, os invernos estão mais quentes do que no início do século XX, mas ainda são frios o suficiente para sustentar tempestades intensas.
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A chave é a maior disponibilidade de umidade para alimentar esses sistemas.
Os oceanos desempenham um papel crucial na absorção do excesso de calor gerado pelas emissões de gases de efeito estufa, absorvendo mais de 90% desse calor. Águas mais quentes no Atlântico contribuem para a formação de ciclones extratropicais que atingem a costa leste.
Adicionalmente, o Ártico está aquecendo em um ritmo acelerado, o que afeta o comportamento do vórtice polar, permitindo que massas de ar frio avancem para latitudes médias com maior frequência e intensidade.
O padrão observado na neve é parte de um quadro mais amplo. O mesmo desequilíbrio energético está associado a fenômenos como ondas de calor mais persistentes, secas prolongadas, chuvas extremas e enchentes, além de tempestades mais intensas. O denominador comum é a ampliação dos extremos climáticos.
A nevasca que paralisou Nova York não é um argumento contra a crise climática, mas sim um exemplo de como o sistema atmosférico responde quando opera com mais energia acumulada. O debate central reside na tendência estrutural de um clima mais instável e no grau de preparação das sociedades para lidar com esse novo padrão.
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