Netflix, Paramount e WBD se envolvem em disputa acirrada em Hollywood. Congresso e Judiciário avaliam impacto regulatório da venda e preocupações com práticas comerciais
Desde o início de dezembro, a venda da Warner Bros. Discovery (WBD) tem gerado um intenso embate de interesses em Hollywood. A Netflix, símbolo da era do streaming e concorrente de estúdios tradicionais há quase uma década, enfrenta a Paramount, liderada pela bilionária dupla Larry e David Ellison.
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O foco da disputa reside na avaliação do impacto regulatório de uma possível mudança de controle, com a expectativa de que a compra, independentemente do vencedor final, passará por um escrutínio rigoroso.
A crescente preocupação com práticas comerciais consideradas desleais, como a oligopolização e a formação de trustes, tem levado a um debate público. Em 7 de dezembro, o Congresso dos Estados Unidos, o Judiciário e a maior organização de cinemas do país examinaram essas questões regulatórias.
A deputada democrata Becca Balint destacou que grandes fusões no setor tendem a prejudicar o público, afirmando que “as coisas ficam melhores para quem está no topo e piores para o resto”.
Durante a audiência do Subcomitê sobre o Estado Administrativo, a Reforma Regulatória e o Antitruste, o deputado democrata Jerrold Nadler criticou a venda, apontando para um processo prolongado de concentração de poder na indústria de mídia. Ele ressaltou que o histórico recente levanta dúvidas sobre a imparcialidade do processo de revisão, mencionando a influência de lobistas e interesses corporativos.
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O comitê antitruste do Judiciário também se moveu, buscando entender os impactos de uma possível fusão envolvendo Netflix ou Paramount.
A Associação de Cinemas, Cinema United, alertou para impactos diretos e irreversíveis sobre o setor. A entidade expressou preocupação com a concentração de controle sobre produção e distribuição, e alertou que a venda “consolidará ainda mais o controle sobre produção e distribuição nas mãos de uma única plataforma global dominante”.
A associação estendeu as críticas a outros possíveis compradores, citando que uma combinação entre Paramount e Warner poderia concentrar até 40% das bilheterias domésticas anuais.
A legislação antitruste dos Estados Unidos tem origem no fim do século XIX. O primeiro marco foi o Sherman Act, aprovado em 1890 como uma “carta abrangente da liberdade econômica” para garantir uma competição livre e irrestrita. O Sherman Act proíbe contratos, conspirações ou combinações que restrinjam o comércio de forma “não razoável”, além de vedar a monopolização ou tentativa de monopólio.
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