Novas Descobertas Revelam Intercâmbios Genéticos entre Humanos e Neandertais
As histórias de encontros entre humanos e outras espécies, como vemos em filmes como “A Bela e a Fera” e “A Forma da Água”, têm raízes muito mais profundas do que imaginamos. Evidências recentes sugerem que interações genéticas entre humanos e neandertais foram um fenômeno real, ocorrendo em diferentes momentos da história da nossa espécie.
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Estudos recentes, publicados na quinta-feira, 26, na revista Science, revelaram que a hibridização entre Homo sapiens e Homo neanderthalensis não foi um evento isolado, mas sim um período prolongado de convivência. A principal ocorrência desse cruzamento ocorreu entre 45 mil e 50 mil anos atrás, conforme descoberto pelo Museu de História Natural de Londres, com base em fósseis encontrados no Castelo de Ranis, na Alemanha central.
Análises de DNA de seis Homo sapiens, incluindo uma mãe e filha, permitiram datar o cruzamento a aproximadamente 80 gerações atrás. Um detalhe crucial na descoberta foi a análise do cromossomo X, que nas pessoas que vivem hoje carrega proporcionalmente menos herança neandertal do que outros cromossomos.
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Essa observação levou os pesquisadores a compararem o DNA neandertal antigo com o de pessoas da África, revelando que o cromossomo X dos neandertais das montanhas Altai apresentava 62% mais DNA derivado do que o esperado em um cenário neutro, o que só poderia ter acontecido se os machos neandertais tivessem se acasaldado preferencialmente com fêmeas humanas.
Ainda não se sabe o motivo dessa preferência. “Só se pode especular!”, admitiu Sarah Tishkoff, professora de genética e biologia da Universidade da Pensilvânia e coautora do estudo. Alexander Platt, autor da pesquisa, sugeriu que machos tendem a ser mais móveis e a buscar parceiras em grupos diferentes, além de que o que é atraente para machos raramente é atraente para fêmeas.
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O legado desse contato genético ainda está presente em nós: cerca de 2% do genoma de pessoas com ancestralidade fora da África é neandertal, segundo o Museu de História Natural de Londres. 347 genes neandertais foram identificados em alta frequência nos genomas de humanos antigos e modernos, sugerindo que foram imediatamente benéficos para nossa adaptação ao mundo fora da África, incluindo mudanças na cor da pele, na imunidade e no sistema nervoso. Esses genes também estão associados a características como a cor do cabelo e a tendência a ser uma pessoa matutina, além de possíveis ligações com condições de saúde como diabetes.
Paradoxalmente, a mesma mistura que enriqueceu o genoma humano pode ter contribuído para o fim dos neandertais. Com menos indivíduos se reproduzindo entre si, as populações arcaicas teriam encolhido progressivamente até desaparecer, há cerca de 40 mil anos, segundo o Museu de História Natural de Londres.
A pesquisa tem um significado que vai além da biologia, nos lembrando que a história da nossa espécie é tecida com as histórias de outras espécies.
