Desafios na Ciência: Uma Análise Profunda
O dia 11 de fevereiro, tradicionalmente marcado por balanços e avaliações, revela a complexidade de entender a participação feminina na ciência. Não basta apenas contar o número de mulheres e meninas envolvidas; é crucial analisar as formas como a ciência opera e os obstáculos que impedem a permanência dessas profissionais.
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Esses números, embora importantes, não explicam completamente as desigualdades persistentes.
A Complexidade das Trajetórias
A presença de mulheres na ciência é frequentemente vista como um problema de volume, focando em aumentar o número de participantes. No entanto, a realidade é mais complexa. As experiências concretas de mulheres na ciência mostram que o desafio vai além da quantidade, envolvendo a forma como a ciência é vivida, desde o início da jornada até as decisões de permanecer ou seguir em frente.
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O acesso à ciência nunca foi distribuído de maneira igual, sendo influenciado por desigualdades educacionais, econômicas, territoriais e simbólicas que se manifestam antes mesmo da universidade.
Custos Invisíveis
As oportunidades de contato com práticas científicas, reconhecimento e incentivo são desiguais, moldando expectativas e pertencimentos de forma silenciosa. Mesmo quando o acesso formal se amplia, as condições para seguir na ciência não estão garantidas.
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A ciência se organiza como um percurso longo, cumulativo e altamente seletivo, com avaliações, prazos rígidos e métricas quantitativas que atuam como filtros. O chamado “efeito de efeito de efeito” não é apenas uma queda no número de mulheres nos níveis mais altos da carreira, mas um sistema que desgasta progressivamente, levando à exclusão por acúmulo de dificuldades.
Impacto da Parentalidade
Muitas trajetórias não são interrompidas por um único evento, mas por um conjunto de pequenas penalizações que tornam a permanência cada vez mais custosa. Desigualdades de raça e deficiência também são presentes, com mulheres negras e indígenas sub-representadas, especialmente nos espaços de maior poder.
Pessoas com deficiência permanecem quase invisíveis. Esses desafios são resultados de um sistema que molda quem consegue chegar e em que condições. A queda de produtividade após o nascimento de filhos colide com um modelo acadêmico que não prevê pausas reais.
Repensando a Excelência
Alguns editais e iniciativas recentes, como licenças-maternidade e auxílios financeiros, reconhecem que as desigualdades não são limitações individuais, mas resultado de condições estruturais. No entanto, muitas vezes, essas respostas são pontuais e não alteram o modelo central.
Ao tratar cuidado como exceção, a ciência preserva seus critérios centrais de avaliação, confundindo resistência com virtude e transformando o desgaste em prova de mérito.
Além dos Números: Uma Visão Ampliada
Para ir além dos números, é preciso questionar: quantas mulheres e meninas estão na ciência, e quais trajetórias são valorizadas? Que vidas são consideradas compatíveis com a prática científica? Que custos são naturalizados em nome da “excelência”?
Repensar a ciência a partir das experiências de mulheres e meninas não é apenas uma questão de equidade, mas uma forma de ampliar o horizonte do conhecimento científico.
