Mulheres do Pantanal ganham destaque na defesa do bioma mais preservado do Brasil. A experiência local e o conhecimento ancestral são cruciais para a sustentabilidade
Por muito tempo, a narrativa sobre o Pantanal foi moldada por perspectivas externas. Especialistas, com conhecimento técnico, frequentemente negligenciavam a vivência cotidiana do bioma, focando-se em um viés ambiental. Essa abordagem, embora importante, era incompleta, pois ignorava um pilar fundamental: a produção sustentável, que há quase 300 anos, tem sido a verdadeira guardiã do bioma mais preservado do Brasil.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A ausência da voz de quem vive e produz na região gerava um entendimento distorcido, podendo levar a políticas públicas e opiniões públicas desconectadas da realidade.
A experiência prática e o conhecimento transmitido de geração em geração são cruciais para compreender a complexidade do Pantanal. A observação dos ciclos naturais, o manejo do rebanho e a adaptação das raças locais, como o gado pantaneiro, são elementos essenciais para a sustentabilidade do bioma.
Uma nova voz emerge, e ela é feminina. As mulheres do agro, sempre presentes na lida, nos bastidores da gestão e na linha de frente do trabalho, agora assumem o protagonismo na comunicação. Elas trazem a autoridade de quem conhece a terra não apenas pelos mapas e relatórios, mas pelo trabalho diário, pela observação dos ciclos da natureza e pela transmissão de conhecimento entre gerações.
A prosperidade das famílias pantaneiras depende diretamente da vitalidade do ecossistema que as cerca. O modelo de pecuária extensiva, de baixo impacto, onde o gado convive em harmonia com a fauna silvestre, é um resultado direto da gestão do conhecimento local.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Tatiana Scaff, pecuarista e presidente do Instituto Viva Pantanal, ressalta a importância de reconhecer o produtor e a produtora como agentes de conservação. Esquecer a produção sustentável ao falar do Pantanal é apagar a história, a cultura e a identidade do povo pantaneiro.
As mulheres trazem uma perspectiva única e transformadora para essa conversa, com a sensibilidade de quem cuida, a resiliência de quem enfrenta os desafios diários e a capacidade de construir pontes e fomentar o diálogo.
É um chamado vibrante para que mais mulheres se sintam encorajadas a ocupar espaços de liderança, a contar suas histórias com autenticidade e a liderar a comunicação do agro. A representatividade é uma força transformadora. Quando uma mulher pantaneira fala, ela não fala apenas por si, mas por uma linhagem de avós, mães e filhas que construíram e preservaram este patrimônio.
Que a nossa voz coletiva ecoe, cada vez mais forte e clara, para inspirar uma nova percepção sobre o agronegócio brasileiro, uma percepção mais justa, mais completa e, acima de tudo, mais verdadeira. A luta pela representatividade no Pantanal é, em essência, uma luta pela alma do Brasil, por um futuro em que produção e natureza não sejam vistos como opostos, mas como parceiros inseparáveis.
E nós, mulheres, estamos na linha de frente, prontas para liderar essa transformação.
Autor(a):
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!