O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou, na segunda-feira (26 de janeiro de 2026), um ofício direcionado à Agência Nacional de Mineração (ANM), estabelecendo um prazo de cinco dias para que a agência informe as medidas adotadas após o extravasamento de água com sedimentos em uma cava da mina de Fábrica, operada pela Vale, localizada entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, em Minas Gerais.
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O documento, disponível em formato PDF (47kB), foi assinado pela procuradora Isabella Filgueiras, que questiona se a ANM “corrobora o entendimento” da mineradora de que o incidente não teve impacto nas barragens do complexo. A solicitação visa obter informações detalhadas sobre as ações da ANM diante da ocorrência.
Resposta da Vale e da ANM
A Vale, por meio de nota oficial, declarou que o fluxo de água atingiu áreas de outra empresa, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), e que a segurança das pessoas e da comunidade permanece protegida. A empresa informou a suspensão das operações nas duas minas após receber o ofício da Prefeitura de Congonhas.
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A Agência Nacional de Mineração (ANM) afirmou, também na segunda-feira (26 de janeiro), que não houve “ruptura, colapso ou comprometimento” de estruturas de barragens ou pilhas de mineração no caso do Complexo Mina de Fábrica e que o evento estaria associado à infraestrutura da área operacional.
A agência disponibilizou a nota (PDF – 10,9 kB) com mais detalhes.
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Vazamentos e Impactos Ambientais
Nos últimos dias, dois vazamentos de água foram registrados em minas da Vale localizadas no município de Congonhas. O primeiro ocorreu após o rompimento de uma barreira de contenção de água na mina de Fábrica, próxima à cidade de Ouro Preto.
Um segundo vazamento foi registrado menos de 24 horas depois na mesma região, desta vez em um sumidouro (tanque secundário) da mina Viga, também da Vale, localizada na estrada Esmeril, a cerca de 22 km do local da primeira ocorrência.
A Vale informou que já suspendeu operações nas duas minas após receber o ofício da Prefeitura de Congonhas. Diante da situação, o ministro de Minas e Energia (PSD) cobrou da ANM uma “solução imediata e efetiva” para o extravasamento de água ocorrido na mina Viga.
Impacto na CSN e no Rio Goiabeiras
O material do rompimento dessa cava da mina de Fábrica atravessou o dique Freitas e seguiu carregando sedimentos e rejeitos de mineração, provocando impactos ambientais. Houve vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
Esse vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), provocando danos materiais. Depois, essa lama atingiu o rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade, antes de se encontrar com o Rio Maranhão, já na área central de Congonhas.
Segundo a CSN, esse rompimento provocou o alagamento de áreas de sua unidade no distrito de Pires, localizado na divisa entre Ouro Preto e Congonhas.
