Moedas da América Latina valorizam contra o dólar; o que esperar do Real e Peso Chileno?

Moedas latinas valorizam contra o dólar! Entenda o *carry trade* e o destaque do real e peso mexicano. O que esperar?

21/04/2026 10:39

3 min

Moedas da América Latina valorizam contra o dólar; o que esperar do Real e Peso Chileno?
(Imagem de reprodução da internet).

Moedas Latino-Americanas em Destaque Frente ao Dólar

Desde o final de março, quase todas as moedas da América Latina apresentaram valorização frente ao dólar. Esse movimento é impulsionado por fatores globais e pela busca por moedas em países que mantêm taxas de juros elevadas, uma tática conhecida como *carry trade*.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com o dólar cotado a R$ 4,97 nesta terça-feira, dia 21, o real se destaca nesse cenário regional, acompanhado pelo peso mexicano. Contudo, é importante notar que essa valorização é um fenômeno que abrange a região como um todo.

Peso Chileno e a Influência do Petróleo

O peso chileno registrou uma alta expressiva de cerca de 5% desde o final de março. Um dos principais catalisadores foi a reabertura do estreito de Ormuz, uma passagem vital para o petróleo no Golfo Pérsico. Isso ajudou a reduzir o risco global e, consequentemente, a derrubar os preços do petróleo.

Além disso, o cobre também deu suporte à moeda, impulsionado pelas expectativas de recuperação econômica na China, um grande consumidor mundial do metal. Apesar disso, a estabilidade não tem sido constante.

A Fragilidade do Mercado Chileno

O analista Agustín Vargas, da Capitaria, apontou à Bloomberg Línea que o fechamento recente do estreito e os ataques a navios iranianos reacenderam a tensão no mercado. Isso evidenciou o quão frágil era a sustentação da moeda.

Leia também

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fluxos de Capital em México e Brasil

O México também viu sua moeda se valorizar, beneficiando-se tanto das taxas de juros elevadas quanto da liquidez disponível, o que atrai capital estrangeiro de curto prazo. Janneth Quiroz, diretora de análise da Monex, explicou à Bloomberg que a apreciação recente do peso deve-se majoritariamente a fatores externos.

Ela ressaltou que os fundamentos locais apenas potencializam esse movimento. O risco, segundo ela, é que o dinheiro que entra rapidamente também pode sair com a mesma velocidade, caso o humor dos mercados globais piore.

Situações Cambiais em Outros Países

Na Colômbia, o peso atingiu um dos níveis mais fortes em quase quatro anos, fazendo o dólar cair abaixo de 3.600 pesos colombianos. A moeda se beneficiou dos preços do petróleo e do período de pagamento de impostos, quando empresas precisam converter dólares para cobrir obrigações fiscais.

Entretanto, esse movimento é de curto prazo. O próprio governo colombiano realizou uma operação de recompra de dívida externa de aproximadamente US$ 4 bilhões na semana passada, o que pressiona o câmbio em direção oposta. O BBVA, por sua vez, prevê riscos de alta para o dólar no país nas próximas semanas.

Peru e Argentina: Cenários Divergentes

O sol peruano vinha valorizando em um cenário favorável às moedas emergentes, com apostas em uma mudança de rumo nas eleições presidenciais. Com o resultado ainda incerto, a moeda começou a perder valor. José Silva, da Inteligo, observou à Bloomberg que a incerteza política fez o sol registrar uma depreciação moderada, algo que historicamente move o câmbio peruano com rapidez.

Já o peso argentino também registra ganhos, com o dólar comercial negociando em torno de 1.360 pesos argentinos, sem grandes oscilações. Contudo, bancos internacionais já preveem uma correção ao longo do ano. O JPMorgan estima o dólar em 1.550 pesos argentinos até o final de 2026, enquanto o BBVA projeta um valor próximo a 1.760 pesos, ambos os cenários indicando uma alta gradual.

Perspectivas Futuras para as Moedas Locais

O cenário cambial latino-americano mostra uma forte correlação com eventos geopolíticos e o fluxo de capital especulativo. Embora haja sinais de força em algumas moedas, como o peso chileno e o peso mexicano, a volatilidade permanece alta.

Os analistas alertam que a dependência de fatores externos, como o preço do petróleo ou a estabilidade política, torna o mercado suscetível a reversões rápidas, exigindo cautela dos investidores.

Autor(a):

Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!