CVM Aponta Miguel Gutierrez como Líder de Fraude Bilionária na Americanas
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu, em janeiro de 2026, que Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, liderou a fraude contábil bilionária que veio à tona em 2023. O relatório da Superintendência de Processos Sancionadores, divulgado naquele mês, detalha uma apuração de três anos após o escândalo.
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Esquema Operou por Década sem Conhecimento
A investigação revelou que o esquema fraudulento operou por pelo menos uma década, sem o conhecimento do Conselho de Administração ou de seus comitês. A apuração identificou 31 indivíduos envolvidos nas irregularidades, parte de um grupo investigado por autoridades administrativas e criminais, totalizando mais de 40 pessoas.
Delação Premiada e Denúncia do MPF
O depoimento de Márcio Cruz Meirelles, ex-diretor, em delação premiada firmada em outubro de 2025, afirmou que Gutierrez possuía a “palavra final” sobre as manipulações contábeis. Esse depoimento foi crucial na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em março de 2025, que apontou fraudes de aproximadamente R$ 22,8 bilhões.
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Envolvimento de Executivos e Repercussão
O escândalo, divulgado em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas informou sobre “inconsistências contábeis”, inicialmente estimou um rombo de R$ 20 bilhões. A Polícia Federal (PF) atualiza o cálculo, apontando para um prejuízo total de cerca de R$ 25 bilhões.
A CVM destaca que Gutierrez comandou o esquema por meio de fraudes “incrementais e continuadas”, com emissão e negociação de valores mobiliários baseados em informações falsas.
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Outros Envolvidos e Defesa da CVM
O núcleo principal da fraude incluía os ex-executivos Anna Saicali, José Timóteo de Barros, Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate. Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e funcionários por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado.
Nove respondem por uso de informação privilegiada. Os acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira não foram denunciados. A CVM defende a responsabilização da companhia e seus administradores, argumentando que deixar de punir os envolvidos “ensinaria ao mercado o caminho para nunca mais ser punido”.
