Miguel Díaz-Canel lidera marcha em Havana e critica Trump. Manifestação em memória de José Martí ocorre em contexto de crise energética e pressão dos EUA
Em Havana, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (Partido Comunista de Cuba), liderou a tradicional “Marcha das Tochas” em 27 de janeiro de 2026. A manifestação, que reuniu estudantes e participantes na escadaria da Universidade de Havana, ocorreu no mesmo dia em que o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), proferiu declarações em Iowa, afirmando que o regime cubano “estava prestes a cair” e “muito perto do colapso”.
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O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, utilizou as redes sociais para comunicar que a marcha foi uma resposta às previsões de queda do governo americano. A declaração refletiu uma “posição anti-imperialista firme e inabalável”, segundo o próprio ministro.
As declarações de Trump intensificaram a pressão sobre Cuba. O fornecimento de petróleo venezuelano, essencial para a ilha, foi interrompido após a operação militar dos EUA que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) em 3 de janeiro.
Cuba dependia de cerca de 30% de suas necessidades energéticas provenientes do envio de 30 mil a 35 mil barris diários da Venezuela, agravando a situação de apagões e escassez.
A pressão sobre Cuba aumentou na segunda-feira anterior (26 de janeiro). O México suspendeu um envio de petróleo para a ilha. A presidente Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda) justificou a decisão como “soberana”, negando pressão dos EUA. A China anunciou o envio de 30.000 toneladas de arroz como ajuda humanitária emergencial.
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Díaz-Canel manteve uma postura de rejeição às propostas americanas. Em 11 de janeiro, declarou que não há conversas entre Cuba e EUA, exceto sobre assuntos de migração. O líder cubano expressou disposição de dialogar apenas sob “igualdade soberana, respeito mútuo, princípios do Direito Internacional e benefício recíproco”, responsabilizando o bloqueio econômico imposto pelos EUA pelas dificuldades enfrentadas pelo país.
A “Marcha das Tochas” é realizada anualmente em 27 de janeiro, véspera do aniversário de José Martí (1853-1895), herói nacional cubano. O evento, que remonta a um desfile de 1953 organizado por Fidel Castro e outros jovens em oposição ao governo de Fulgencio Batista, simboliza a resistência do país.
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