O México anunciou na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, o envio de reforços militares, totalizando 2.000 soldados, para o Estado de Jalisco, no oeste do país. A medida foi tomada em resposta a uma onda de violência que afetou pelo menos 20 estados mexicanos no domingo, 22 de fevereiro.
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A operação visa conter o aumento da criminalidade, impulsionado pela eliminação de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos principais fornecedores de fentanil para os Estados Unidos.
A situação gerou preocupações e alertas de segurança em diversos países.
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Ações do Cartel e Resposta do Governo
Segundo relatos, integrantes do cartel CJNG teriam ordenado bloqueios em estradas, iniciado incêndios e realizado ataques contra edifícios públicos. O aeroporto de Guadalajara foi temporariamente fechado após tiroteios nas proximidades. Em resposta, embaixadas dos Estados Unidos e do Canadá emitiram alertas de nível máximo para seus cidadãos em viagem ao México.
O governo mexicano ativou o “código vermelho”, mobilizando reforços da Marinha e do Exército para patrulhar áreas urbanas. Mais de 70 pessoas perderam a vida, incluindo membros do cartel e civis.
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Recompensa e Prisões
De acordo com informações, o cartel CJNG passou a oferecer uma recompensa de 20.000 pesos (aproximadamente R$ 6.000) pela morte de soldados. As autoridades mexicanas prenderam pelo menos 70 pessoas em 7 estados.
Pressão Internacional e Contexto Político
A operação que resultou na morte de “El Mencho” ocorreu em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), que defendia ações mais rigorosas contra os cartéis mexicanos. A presidente do México, Claudia Sheinbaum (Movimento de Regeneração Nacional, esquerda), afirmou que qualquer intervenção militar estrangeira violaria a soberania do país.
Quem Era “El Mencho”
Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, nasceu em 17 de julho de 1966, no Estado de Michoacán, no México. De origem humilde, trabalhou na agricultura – incluindo plantações de abacate – antes de se mudar ilegalmente para os Estados Unidos nos anos 1980.
No início da década de 1990, envolveu-se com o tráfico de drogas nos EUA. Em 1994, foi condenado por tráfico de heroína em um tribunal norte-americano e cumpriu pena de prisão. Após ser libertado, foi deportado para o México. De volta ao país, chegou a integrar a polícia municipal em Jalisco, mas depois passou a atuar definitivamente no narcotráfico.
Inicialmente, teve ligação com o Cartel del Milenio. Após a fragmentação desse grupo, ajudou a fundar, por volta de 2009–2010, o CJNG. Sob seu comando, o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do México, com forte presença territorial e atuação internacional.
Autoridades dos EUA afirmam que o cartel opera rotas de tráfico para a América do Norte, Europa, Ásia e Oceania, movimentando bilhões de dólares com drogas como cocaína, metanfetamina e fentanil. “El Mencho” passou a figurar entre os criminosos mais procurados do México e dos Estados Unidos.
O Departamento de Justiça dos EUA ofereceu recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. Ele respondia a diversas acusações em tribunais norte-americanos, incluindo tráfico internacional de drogas e uso de armas de fogo.
Em 2025, o governo do presidente Donald Trump designou formalmente o CJNG como organização terrorista estrangeira, ampliando as sanções contra o grupo.
