Mercosul e UE assinam acordo histórico de livre comércio após 26 anos de negociações. União Europeia e Mercosul formalizaram o acordo em 17 de setembro, após ratificação no Conselho Europeu em 9 de setembro. Acordo busca crescimento econômico e integração comercial
Após 26 anos de negociações complexas, o Mercosul e a União Europeia finalmente assinaram um acordo de livre comércio em 17 de setembro. A assinatura histórica ocorreu após a ratificação no Conselho Europeu em 9 de setembro, marcando um momento significativo nas relações comerciais entre os dois blocos.
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O acordo representa um esforço conjunto para promover o crescimento econômico e a integração comercial, buscando novas oportunidades de negócios e fortalecimento das cadeias produtivas.
O processo de aprovação envolveu a necessidade de alcançar um consenso entre 15 dos 27 países da UE, representando pelo menos 65% da população do bloco. A posição favorável da Itália, que abriu caminho para a formação da maioria no Conselho, foi crucial para a conclusão do acordo.
Com a aprovação formalizada, o acordo entra em vigor após a ratificação em cada país do Mercosul.
O acordo de livre comércio visa a redução significativa de tarifas sobre uma vasta gama de produtos, incluindo automóveis, produtos agrícolas e matérias-primas. A UE eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, enquanto o Mercosul, por sua vez, eliminará as tarifas sobre produtos agrícolas da UE, como vinhos e destilados.
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Para produtos agrícolas mais sensíveis, a UE oferecerá cotas maiores, incluindo 99.000 toneladas métricas de carne bovina, enquanto o Mercosul concederá à UE uma cota isenta de 30.000 toneladas para queijos.
As importações adicionais representam 1,6% do consumo de carne bovina na UE e 1,4% do consumo de aves, indicando um potencial impacto nas cadeias de abastecimento europeias. O acordo também inclui compromissos ambientais, como a prevenção de novos desmatamentos após 2030, embora grupos ambientalistas expressem preocupações sobre a eficácia das medidas.
Apesar dos benefícios potenciais, o acordo gerou controvérsias e oposição de alguns setores. Grupos ambientalistas criticaram o acordo, classificando-o como “devastador para o clima” e alertando para o aumento do desmatamento, especialmente na Amazônia.
A França, principal produtora de carne bovina da UE, também se opôs ao acordo, buscando garantir a proteção dos interesses da agricultura francesa.
A Comissão Europeia, por sua vez, defende o acordo, destacando que ele oferece uma alternativa à dependência da China, especialmente em relação a minerais críticos, e que o acordo representa um esforço para diversificar as relações comerciais da UE.
A Comissão também anunciou a criação de um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros para os agricultores da UE, que poderá cobrir o “evento improvável” de o acordo prejudicar os mercados agrícolas da UE.
Para mitigar potenciais impactos negativos, a Comissão Europeia estabeleceu mecanismos de salvaguarda, que permitem a suspensão do acesso preferencial do Mercosul a produtos agrícolas sensíveis, caso o volume de importações ou os preços em um determinado país da UE aumentem significativamente.
A Comissão também considerou a harmonização das normas de produção entre produtos nacionais e importados, principalmente no que diz respeito a pesticidas e bem-estar animal, buscando fortalecer os controles de importação de alimentos.
O acordo Mercosul-UE representa um passo importante na integração comercial entre os dois blocos, mas também levanta questões sobre os impactos ambientais, sociais e econômicos, que serão monitorados e avaliados ao longo do tempo.
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