Mercado de crédito privado redefine-se em 2026 com tokenização e IA. Estudo “Project Aurora” revela redução de custos operacionais em até 38% no Brasil.
O mercado global de crédito privado, que já se aproxima de US$ 2 trilhões, entra em 2026 sob uma pressão significativa: escala, eficiência e a necessidade de novos canais de distribuição. No Brasil, essa transformação se manifesta através da convergência entre a tokenização de ativos reais, a utilização da duplicata escritural e a automação impulsionada pela inteligência artificial.
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Essa combinação redefine a origem, o registro, a distribuição e o financiamento do crédito empresarial. O estudo “Project Aurora – Brazil’s Asset Tokenization Opportunity”, coassinado por AmFi, Credit Saison (Brasil), Coruja, Pinheiro Neto Advogados e Onigiri Capital, com patrocínio institucional da Núclea, revela que a tokenização do crédito pode reduzir custos operacionais em até 38%, automatizando fluxos financeiros, consolidando registros e eliminando intermediários.
Essa mudança representa um avanço crucial para o sistema financeiro brasileiro, buscando maior eficiência e acesso a crédito, especialmente para pequenas e médias empresas.
A duplicata escritural emerge como um elemento central nessa transformação. Representa uma reforma profunda no crédito empresarial da última década, substituindo práticas informais baseadas em boletos e documentos paralelos por um modelo digital, padronizado e rastreável.
Essa mudança garante unicidade, controle de ônus, um repositório centralizado de informações e maior segurança jurídica. Em 2026, a duplicata escritural segue em fase de testes homologatórios e implantação progressiva, com avanços na padronização dos fluxos, na interoperabilidade entre infraestruturas e na integração com o mercado de capitais.
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O impacto operacional pleno tende a se materializar de forma gradual, à medida que a adoção pelas empresas e pelos agentes de mercado se amplia. “Quando você reduz fricções e automatiza processos, passa a ser economicamente viável financiar empresas que antes ficavam fora do sistema”, afirma Paulo David, CEO da AmFi.
O financiamento do crédito no Brasil passa por uma inflexão estrutural, com uma redução gradual da participação das instituições financeiras tradicionais e um aumento da penetração do mercado de capitais como fonte de financiamento. Essa reorganização das infraestruturas de crédito, juntamente com a agenda regulatória da CVM e o avanço da duplicata escritural, cria um ambiente mais propício para a inovação e o crescimento do setor.
Em 2026, o efeito é predominantemente institucional e regulatório, com consolidação de regras, testes e adaptação dos agentes. A materialização mais ampla em volumes e a mudança efetiva na alocação de capital tendem a ocorrer de forma progressiva nos ciclos seguintes. “O Brasil está migrando de um modelo de crédito concentrado no balanço dos bancos para uma arquitetura mais distribuída, baseada em mercado de capitais e infraestrutura regulada”, afirma Paulo David, CEO da AmFi.
A regulação deixa de ser um mero coadjuvante e se torna uma condição imprescindível para a escala. Além da implantação da duplicata escritural e da modernização das infraestruturas de mercado, o Banco Central eleva as exigências para as fintechs, com foco em capital, governança e controles operacionais.
Esse movimento visa aumentar a robustez do sistema financeiro, filtrar modelos menos estruturados e criar um ambiente mais seguro para o crescimento de plataformas integradas ao mercado de capitais, bem estruturadas e capazes de operar crédito estruturado com lastro, transparência e segurança regulatória.
Em 2026, a combinação entre a duplicata escritural, a tokenização de ativos reais e a inteligência artificial, reduzem assimetrias de informação, melhoram a gestão de risco e criam as bases para um mercado de crédito privado mais eficiente, competitivo e integrado.
Para empresas, investidores e instituições financeiras, o desafio passa a ser adaptar processos, governança e modelos de negócio a uma infraestrutura que já está em construção e deve ganhar escala de forma progressiva nos próximos anos. A tecnologia deixa de ser tratada como fim e passa a ocupar o papel de camada de eficiência, transparência e governança da infraestrutura financeiro-tecnológica.
A eficiência operacional deixa de ser promessa e passa a ser critério mensurável. Segundo o Project Aurora, estruturas de crédito privado tokenizado, apoiadas em duplicata escritural e automação de fluxos, podem reduzir custos operacionais em até 38%, principalmente pela eliminação de reconciliações manuais e pela adoção de auditoria contínua ao longo do ciclo das operações.
As stablecoins passam a ganhar espaço como instrumento complementar de liquidação e eficiência operacional, especialmente em pagamentos internacionais e operações financeiras tokenizadas. Com maior atenção regulatória e lastro em moedas fiduciárias, esses ativos reduzem custos, prazos e dependência de intermediários tradicionais. “Pagamentos com stablecoins são mais eficientes porque reduzem fricções da infraestrutura tradicional e tornam a liquidação e transferência de capital para investimentos de maneira mais rápida e transparente”, afirma Paulo David, CEO da AmFi.
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