Marqueteiros receberam US$ 10 milhões de Maduro em transações suspeitas

Marqueteiros receberam US$ 10 milhões de Maduro em transações via “caixa 2”. Mônica Moura detalhou pagamentos semanais em dinheiro, bancados por Maduro e empresas como Andrade Gutierrez e Odebrecht (Novonor)

4 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Marqueteiros Envolvidos em Transações Milionárias com Maduro e Empresas

O casal de marqueteiros, responsável por campanhas para o PT em 2006 e 2010, recebeu mais de US$ 10 milhões diretamente de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) em 2012. Os pagamentos, realizados semanalmente e em parcelas, eram feitos em dinheiro (caixa 2) pelo próprio Maduro, que na época era ministro das Relações Exteriores de Hugo Chávez (1954-2013).

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Contexto das Campanhas

Os pagamentos foram feitos em apoio à campanha de reeleição de Chávez em 2012, com o objetivo de contratar os marqueteiros João Santana e Mônica Moura. O ex-deputado federal, que organizou viagens do casal para Caracas, foi um dos principais articuladores dessa contratação.

O contato inicial, no entanto, foi feito diretamente por Lula.

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Natureza dos Pagamentos

Quando os pagamentos não eram feitos por Maduro ou por empreiteiras, Mônica Moura adotava um tom ameaçador, alegando que reclamaria com Lula. “Eu vou ter de conversar no Brasil. Quem me chamou para cá foi o presidente Lula”, relatou a marqueteira em um depoimento à operação Lava Jato, gravado em vídeo em 11 de maio de 2017.

Campanha de Maduro 2013

Além da campanha de Chávez em 2012, João Santana e Mônica Moura realizaram a primeira campanha presidencial de Nicolás Maduro em 2013 – sobre a qual não há informações completas sobre pagamentos recebidos.

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Versões sobre os Pagamentos

Ao longo do tempo, os marqueteiros deram diversas versões sobre os pagamentos que receberam via caixa 2, e nunca se sabe o que realmente era verdade. O processo deles foi encerrado e talvez nunca seja possível saber de fato quanto receberam.

Exemplos de Mudanças de Versão

Um exemplo é o caso da campanha que os 2 fizeram em Angola, na África, para a reeleição do então presidente, José Eduardo dos Santos (1942-2022). Em maio de 2015, Santana divulgou que havia cobrado US$ 20 milhões pelo marketing em Angola. Já preso, em 2016, o valor foi alterado para US$ 50 milhões.

No seu depoimento de 2017 à Lava Jato, Mônica Moura revelou que viagens à Venezuela foram bancadas pela empreiteira Andrade Gutierrez, de jatinho.

Outros Investigadores

Outro político envolvido foi José Dirceu, que também teve suas condenações da Lava Jato e pretende ser candidato a deputado federal em 2026. Mônica Moura relatou em detalhes reuniões que manteve com Nicolás Maduro, na época da última campanha de Chávez para presidente, em 2012.

O contato inicial entre os 2 marqueteiros e a equipe de Hugo Chávez e Maduro foi feito “por Lula”, disse Mônica Moura à Lava Jato.

Detalhes dos Pagamentos

Nesse depoimento, ela relata que cobrou US$ 35 milhões, mas que o valor não teria sido pago integralmente. Não havia contrato e tudo o que foi pago “foi em caixa 2”. As fontes do dinheiro, segundo Mônica, eram 3: os políticos venezuelanos (via Maduro), uma parte da Andrade Gutierrez e outra da Odebrecht (hoje, Novonor).

“Quando a gente foi acertar de receber dinheiro, Maduro disse para mim o seguinte: ‘Você vai receber dinheiro diretamente comigo. Eu não quero ficar pagando muita gente. Não quero esse contato com muita gente’”, explicou Mônica Moura à Lava Jato.

“Maduro me pagou, quase semanalmente, dinheiro. Ele me entregava dinheiro na própria chancelaria, no prédio da chancelaria, às vezes no Palácio de Miraflores [sede da Presidência da Venezuela]”, continuou ela.

As entregas variavam de US$ 500 mil de cada vez, às vezes, US$ 300 mil. Cheguei a receber US$ 800 mil de uma vez. Recebi mais de US$ 10 milhões em dinheiro lá”, relatou Mônica Moura.

Esse trecho do depoimento de Mônica Moura pode ser assistido a seguir e tem cerca de 39 minutos. O trecho sobre os pagamentos em dinheiro feitos por Maduro começa aos 15 minutos.

Fontes da Delação

O Poder360 tem arquivados todos os vídeos da delação dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura e do funcionário do casal, André Santana. O relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tornou o material público em 11 de maio de 2017 e o conteúdo está disponível até hoje – embora os marqueteiros, mesmo tendo confessado todos crimes, tenham conseguido reverter as condenações no Supremo Tribunal Federal.

Além dos vídeos, também fazem parte da delação dos marqueteiros 803 páginas dos “termos de colaboração”, em que os publicitários fazem pequenos resumos dos temas que serão abordados. Acesse todo o material.

Os marqueteiros, mesmo tendo confessado todos crimes, conseguiram reverter as condenações no Supremo Tribunal Federal.

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