Marketing: O que o palco diz vs. a realidade dos bastidores em 2026?

Descubra o choque entre o marketing ideal e a realidade! Veja como gigantes como Amazon, Google e Uber abordam IA e o papel do CMO. Clique e saiba mais!

16/04/2026 15:03

4 min

Marketing: O que o palco diz vs. a realidade dos bastidores em 2026?
(Imagem de reprodução da internet).

A Complexidade do Marketing na Era Digital: Entre o Ideal e a Prática

Discutir o cenário atual do marketing é um desafio complexo. O volume de conceitos, conteúdos e informações é tão vasto que resumir tudo em uma simples avaliação de “foi ótimo” parece insuficiente. Essa percepção se tornou ainda mais nítida durante minha participação em um recente evento do setor.

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Com 45 anos, sou da Geração X e minha trajetória profissional começou em um mundo muito diferente. Lembro-me da época das máquinas de escrever, da internet discada com seu som característico, e plataformas como ICQ, Orkut e bate-papo do UOL.

A Evolução Pessoal e a Visão do Mercado

Minha formação inicial foi influenciada por grandes nomes como Washington Olivetto e Nizan Guanaes. Inicialmente, o marketing parecia sinônimo de propaganda televisiva ou campanhas premiadas. Contudo, logo percebi que o campo é muito mais amplo, envolvendo negócios, pessoas, processos e, crescentemente, tecnologia.

Minha carreira foi construída em etapas distintas, passando por estágios na Caixa Econômica Federal e em agências B2B de telemarketing. Antes de atuar como diretor comercial, tive experiências significativas em empresas como Sem Parar e Dotz.

O Contraste entre o Marketing Ideal e a Realidade Operacional

Estudar Mercadologia e me graduar em CRM, com o Kotler sempre por perto, me deu um olhar único sobre a evolução da internet, dos celulares e do surgimento de novas tecnologias. O evento em questão expôs um contraste gritante entre o discurso elevado dos palcos e o que se comenta nos corredores.

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O Discurso no Palco vs. A Realidade nos Bastidores

A curadoria do evento foi excelente, reunindo executivos de gigantes como Amazon, Google, Uber, Ambev e Danone. No palco, o discurso era de altíssimo nível, abordando IA, automação, hiperpersonalização e o papel do CMO como arquiteto de valor, pintando um sistema sofisticado.

No entanto, nos corredores, o tom era diferente. Profissionais experientes demonstravam-se pressionados a falar sobre avanços, mas sem saber por onde começar. Há uma carência de bases de dados organizadas, times bem estruturados e processos claros, além de uma necessidade de maior sinceridade sobre o que é factível hoje.

Problemas Persistentes na Prática

Na prática, problemas antigos persistem. É comum ver o marketing isolado das vendas, áreas que não se comunicam e disputam orçamentos. As agências, muitas vezes, se restringem à sua especialidade, enquanto o discurso ideal fala em orquestra completa.

Símbolos Culturais e a Conexão Humana

A polêmica em torno do “Vai, Brasa” ilustrou bem esse descompasso. Nos bastidores, questionava-se se aquele grito representava o sentimento popular. No dia do jogo, o clima de frustração após a derrota não foi acompanhado por aquele canto.

É simbólico: nunca produzimos tanta narrativa, mas ainda falhamos em garantir que ela emerja de sentimentos genuínos. A menção ao Toguro reforçou esse choque. Ele representa uma construção de marca que nasce na comunidade, antes de virar um caso de sucesso.

Enquanto as marcas ensaiam o texto perfeito, a audiência se conecta com expressões orgânicas. Isso mostra que dominar tecnologia não basta; é crucial entender a cultura e o comportamento humano. Muitas vezes, os criadores captam esses sinais antes das próprias marcas e redes sociais.

Marcas, Geração Z e a Busca por Identidade

Outro ponto central foi como marcas antigas mantêm relevância para a Geração Z, que busca pertencimento e significado. Para essa geração, a compra não é apenas de um produto, mas de uma identidade.

Não basta apenas falar de propósito; é preciso sustentá-lo nas ações diárias. As marcas tradicionais possuem a vantagem da memória afetiva, mas só se mantêm atuais quando reinterpretam sua história sem tentar copiar a linguagem efêmera da internet.

Conclusão: O Marketing em Constante Transição

O evento culminou com um momento de celebração com hits dos anos 80 e 90. Essa cena reforça algo fundamental: por trás dos algoritmos e da IA, há pessoas com repertórios culturais diversos. A frase de boas-vindas, “Marketing always in action”, resume tudo.

Sair do evento com uma sensação dupla: o futuro é belíssimo no discurso, mas a execução ainda está em construção, com velhos problemas sem solução. Talvez o papel do marketing seja justamente viver nessa transição, transformando tecnologia em algo que ressoe com a vida real das pessoas.

Entre o palco, os corredores e a pista de dança, fica claro que estamos no meio do caminho, entre o marketing que idealizamos e o que ainda estamos aprendendo a entregar.

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