O Multilateralismo em Crise: A Visão do Primeiro-Ministro Carney
Na semana passada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, concluiu uma visita reveladora ao país chinês, onde apresentou uma análise contundente sobre o futuro do sistema internacional. Carney argumentou que o sistema multilateral que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, a partir de 1945, está sofrendo um processo de “erosão”, impulsionado pelo surgimento de novos modelos baseados em acordos bilaterais e blocos regionais, com menor influência dos Estados Unidos e um poder limitado para organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
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A Nova Ordem Mundial e a Perspectiva de Carney
Carney, um economista de 60 anos que presidiu o G20 entre 2008 e 2013, e o Banco do Canadá entre 2013 e 2020, é um dos líderes de países do G20 mais preparados para entender essa “nova ordem mundial”, expressão que ele utiliza com frequência.
Em Pequim, durante a entrevista pós-visita, Carney explicou que o sistema multilateral está sendo “erodido” ou “corroído”, utilizando uma linguagem mais educada. A questão central, segundo ele, é o que será construído nesse novo cenário, se será uma “colcha de retalhos” baseada em acordos pontuais ou se será baseado em relações bilaterais e interesses comuns entre países em áreas específicas.
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Elementos da Nova Ordem e o Papel da China
Carney identificou diversos elementos que contribuem para essa mudança. A crescente importância de infraestrutura, moeda e tecnologia como instrumentos de poder econômico global, a expansão do uso da moeda chinesa (renminbi) e a busca por cadeias produtivas e infraestruturas que não passam necessariamente pelos Estados Unidos são pontos-chave.
A China, em particular, tem buscado uma ordem multipolar, com menor dependência do dólar e maior autonomia regulatória, uma estratégia que tem ganhado força e que tem sido vista por líderes norte-americanos, como o então presidente Donald Trump.
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A China e a Expansão Econômica Global
A estratégia chinesa envolve a criação de infraestruturas de poder econômico fora da influência direta dos Estados Unidos, através de projetos como a construção de ferrovias e portos na África. A China tem investido em portos estratégicos e em minas de minérios, como cobre, grafite e terras raras, além de ter expandido seu comércio com o Brasil, consolidando a China como principal parceiro comercial do país brasileiro.
Essa cooperação direta entre países emergentes, sem depender exclusivamente de regras ou instituições globais, é vista por Carney como um caminho para a construção de uma nova ordem mundial.
