Manolo Carlos, Ícone das Novelas Brasileiras, faleceu aos 92 anos. A confirmação veio da produtora da família, Boa Palavra, e o velório será restrito.
Manoel Carlos, um dos mais renomados autores de novelas do Brasil, faleceu no sábado (10), aos 92 anos. A confirmação da morte veio da produtora da família, a Boa Palavra. “O velório será restrito à família e amigos íntimos”, comunicou a nota.
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A família agradeceu as manifestações de carinho e pediu respeito nesse momento delicado.
Manoel Carlos iniciou sua trajetória na televisão na década de 1950, trabalhando no Grande Teatro Tupi e na extinta TV Tupi. Lá, teve a oportunidade de atuar com artistas renomados como Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Sérgio Britto, Fernando Torres e Flávio Rangel.
Além de atuar, Maneco, como era carinhosamente chamado, adaptava peças de teatro para a televisão, conhecidas como teleteatros.
Em uma entrevista à Jô Soares, Maneco expressou sua visão sobre seu trabalho: “Não sou um ator brilhante, mas também não chego a ser ‘péssimo’”. Ele revelou que sempre escrevia um papel para si mesmo ao adaptar as obras. Em outra ocasião, disse: “Os homens sabiam escrever melhor sobre mulheres.
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Eles têm uma visão até mais generosa do que elas mesmas”, citando autores como Gustave Flaubert, Balzac e Proust.
Na década de 1960, Manoel Carlos foi contratado pela TV Excelsior, onde criou o programa Bibi 60, conduzido pela atriz Bibi Ferreira, até 1963. Posteriormente, na TV Record, formou, ao lado de Nilton Travesso, Tuta de Carvalho e Raul Duarte, a Equipe A, responsável por produzir e dirigir programas que se tornaram marcos na história da televisão brasileira, como o humorístico A Família Trapo, a competição musical Esta Noite se Improvisa e o musical O Fino da Bossa, com Elis Regina e Jair Rodrigues.
Manoel Carlos também trabalhou com outros artistas importantes, como Jô Soares, Hebe Camargo e Ronnie Von. Sua trajetória foi marcada por colaborações com diversos talentos, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da televisão brasileira.
No final dos anos 1970, Maneco fez parte da equipe de roteiristas do seriado Malu Mulher, um marco na teledramaturgia brasileira que abordou temas como feminismo, divórcio, aborto, violência doméstica, orgasmo e outros. A série foi estrelada pela atriz Regina Duarte, que posteriormente protagonizou três novelas do autor.
Em 1980, Manoel Carlos colaborou com Gilberto Braga em Água Viva, e no ano seguinte estreou Baila Comigo, novela na qual começou sua saga com as protagonistas de nome Helena. A primeira Helena coube à atriz Lilian Lemmertz. A personagem foi a primeira protagonista negra de uma novela das 8 da Globo.
Em 2024, Taís Araújo ressignificou a personagem.
Em 1982, Manoel Carlos criou Sol de Verão, que prometia ser mais solar, mas o protagonista, o ator Jardel Filho, morreu vítima de um infarto, quatro meses após a estreia. A novela foi finalizada por Lauro César Muniz. Em 1986, ele revelou seu descontentamento com a emissora: “Propus à Globo acabar a novela em uma semana.
Eles argumentaram que não seria possível. Aumentei para duas semanas. Eles reargumentaram que teria de estendê-la, pelo menos, por mais três [semanas]. Eu disse ‘não’.”
Apesar do afastamento da Globo, Manoel Carlos continuou a escrever novelas e seriados para outros países, incluindo Estados Unidos, México, Chile, Argentina, Venezuela, Peru, Colômbia e Equador.
Manoel Carlos reatou com a Globo em 1991, quando escreveu Felicidade, ‘Laços de Família’ e ‘Mulheres Apaixonadas’. ‘Laços de Família’ (2000), com Vera Fischer no papel de Helena, e ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003), com Christiane Torloni como protagonista, foram os trabalhos mais lembrados do autor.
Em ‘Laços de Família’, a personagem Camila, que sofria de leucemia, raspa a cabeça, um dos momentos mais marcantes da história da telenovela brasileira.
Manoel Carlos nasceu em São Paulo, no bairro do Pari, e viveu no Rio de Janeiro por mais de 50 anos. Era casado com a atriz e apresentadora Cidinha Campos e, desde 1981, com Elisabety Gonçalves de Almeida. Ele teve três filhos: Ricardo, que faleceu em 1987 vítima de complicações causadas pelo vírus da AIDS; Manoel Carlos Júnior, que sofreu um ataque cardíaco em 2012; e Pedro Almeida, que faleceu de mal súbito em 2014.
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