Lula alcança vitória tarifária com EUA, aponta análise de Tett no FT. Colunista usa “Taco” para descrever recuo de Trump. Brasil pressiona e obtém flexibilização de tarifas
O presidente alcançou uma vitória na disputa tarifária com os Estados Unidos, conforme análise da colunista Gillian Tett, do jornal Financial Times. Em seu artigo, publicado na sexta-feira (28 de novembro de 2025), Tett destaca a flexibilização do governo americano em relação às tarifas impostas a produtos agrícolas brasileiros.
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A colunista utiliza o acrônimo “Taco” – de “Trump Always Chickens Out” (“Trump sempre amarela”) – para descrever o recuo do ex-presidente norte-americano (Partido Republicano) nas tarifas aplicadas.
Tett afirma que o presidente Lula respondeu com firmeza e obteve sucesso na negociação.
Em agosto de 2025, Trump anunciou uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o total de impostos a 50%. A decisão foi motivada pela insatisfação com a investigação conduzida pela colunista.
Tett aponta que Lula defendeu os tribunais brasileiros e manteve a pressão diplomática. Na semana de 18 de novembro de 2025, Trump anunciou a revogação da sobretaxa para determinados produtos agrícolas brasileiros.
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A colunista acredita que o recuo demonstra maior sensibilidade da Casa Branca em relação ao impacto econômico interno.
Pesquisas indicam uma queda na popularidade de Trump e um aumento das preocupações com o custo de vida nos Estados Unidos. Assessores presidenciais buscam soluções para reduzir os preços de alimentos.
Tett identifica três lições no episódio. A primeira é que o governo Trump age com mais cautela diante da inflação doméstica. A segunda é que “valentões respondem melhor à força”, e países que enfrentaram as medidas conseguiram avanços, como China e Brasil.
A terceira lição é que a política externa norte-americana funciona mais por instinto que por estratégia clara.
Tett propõe uma estrutura analítica baseada em “objetivos-estratégias-táticas” para compreender Trump. Segundo ela, o presidente americano tem objetivos claros: dominância econômica e política extrema, refletida no slogan “Make America Great Again” (“Faça a América Grande de Novo”).
As estratégias envolvem política “geoeconômica” – uso de ferramentas econômicas para fortalecer o poder hegemônico americano. As táticas incluem intimidação, ameaças e mudanças dramáticas de posição, métodos transacionais para obter vantagem.
Tett argumenta que, por serem táticas instrumentais e não convicções ideológicas profundas, Trump pode recuar sem constrangimento quando não funcionam ou prioridades maiores surgem.
A colunista afirma, ainda, que o triunfo brasileiro enviou “sinais encorajadores para europeus e outros”. “Reis raramente são tão poderosos quanto parecem”, diz.
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