Acordo Lula–Trump Garante Alívio para o Mercado
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou otimismo em relação a um acordo com o então presidente americano Donald Trump, afirmando que as discussões foram bem-sucedidas e que um acordo seria alcançado “mais rápido do que qualquer um pensa”.
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A declaração foi feita durante uma cúpula da ASEAN na Malásia, onde Lula se encontrou com Trump em uma reunião presencial.
O encontro, ocorrido em Kuala Lumpur, no domingo, 26, abriu espaço para negociações sobre a redução da tarifa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros em agosto, além da busca por acordos em outras áreas. Segundo os presidentes, há um interesse mútuo em explorar oportunidades de colaboração.
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Ricardo Trevisan Gallo, CEO da Gravus Capital, avaliou o gesto como “um passo necessário para desescalar um atrito que já trouxe aumento de volatilidade e custo para setores exportadores brasileiros”. Ele ressaltou que, embora represente uma oportunidade, não é uma solução automática, dependendo de negociações técnicas bem estruturadas e da capacidade do Brasil de transformar essa janela diplomática em sinais concretos de previsibilidade econômica.
Negociações Técnicas e Impacto nos Mercados
Gallo propôs uma agenda que poderia incluir rodadas técnicas entre ministérios e órgãos econômicos para mapear produtos afetados, acordos setoriais de exceção para amortecer o impacto tarifário e mecanismos condicionais com cronogramas escalonados para retirada gradual.
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Com a Selic em torno de 15%, o Banco Central (BC) mantém uma postura vigilante, mas um avanço técnico nas negociações tende a abrir espaço para descompressão nos prêmios de risco.
No câmbio, Gallo projetou uma apreciação do real de 1% a 3% nas primeiras sessões, caso a sinalização seja considerada crível pelos agentes de mercado. Caso o acordo avance com anúncios formais de suspensão de tarifas ou de um roteiro estruturado de redução, o mercado deve reagir de forma concreta já nesta segunda.
Análise Política e Expectativas para 2026
José Victor Cassiolato, estrategista da Victrix Capital, classificou o encontro como um movimento inesperado e com alto peso político. “O encontro na Malásia entre Lula e Trump, suas equipes, fez o que parecia impossível, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”, disse Cassiolato. “Reuniu em uma mesa em um tom que foi descrito como descontraído, onde houve uma atuação elogiosa de ambas as partes e segmentou as expectativas do mercado de que a crise tarifária brasileira com os Estados Unidos pode ser mais um ganho político do governo Lula.”
Segundo o estrategista, do ponto de vista imediato ainda não há nenhum impacto em setores específicos. “Mas se espera que com o alívio das tarifas a gente tenha algumas empresas brasileiras que voltem a se valorizar, recuperando parte do prejuízo que haviam aferido no momento em que as tarifas foram anunciadas.”
Para Cassiolato, “o que fica de pano de fundo é principalmente mais um passo que amalgama a candidatura do Lula para as próximas eleições em 2026 e todos os impactos que isso pode trazer para o mercado, tanto de expectativas com relação à gestão da política fiscal, como da trajetória da política monetária também”.
Projeções de Mercado e Expectativas
Gallo projetou uma queda do dólar frente ao real no início do pregão, recuo de 10 a 40 pontos-base nos juros prefixados de curto e médio prazo, valorização intradiária de ações ligadas à exportação e à indústria, e uma possível retomada negociada de fluxo estrangeiro para ativos brasileiros.
Conclusão
O encontro entre Lula e Trump, embora ainda em fase de negociação, gerou otimismo no mercado financeiro e pode ter implicações significativas para a política econômica brasileira, especialmente em relação às eleições de 2026.
