Lula Aponta Guerra e Privatização como Causas do Aumento dos Preços de Combustíveis
Em uma cerimônia realizada na Regap (Refinaria Gabriel Passos), em Betim (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou a privatização da BR Distribuidora e a tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã pela recente alta nos preços dos combustíveis no Brasil.
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O evento, que também contou com o anúncio de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras, serviu como palco para o presidente expressar sua insatisfação com a situação e apresentar propostas para mitigar os impactos no consumidor brasileiro. A preocupação central, segundo Lula, é a perda de controle estatal sobre a distribuição, que, na sua visão, impede a Petrobras de atuar como um freio aos reajustes que chegam ao consumidor final.
A BR Distribuidora e a Falta de Controle Estatal
“Agora, qual é a razão pela qual um trabalhador mineiro tem que pagar o preço do óleo por conta dessa maldita guerra?”, questionou Lula, enfatizando a necessidade de uma distribuidora sob controle estatal para evitar que a alta do petróleo se traduza em preços elevados para o consumidor.
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O presidente criticou a ausência de um instrumento capaz de impedir que reajustes da Petrobras cheguem integralmente ao consumidor, argumentando que “a Petrobras determina um preço, esse preço sai no jornal, ganha o distribuidor e o consumidor fica chupando o dedo”.
A BR Distribuidora, na visão de Lula, perdeu essa capacidade de atuação.
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Medidas Urgentes e Propostas para o Futuro
Para conter o impacto imediato da alta dos preços, o governo editou uma medida provisória que zerou impostos federais sobre o diesel e criou um subsídio para compensar o reajuste dado pela Petrobras na semana passada. O ministro Alexandre Silveira anunciou que 1.192 postos foram fiscalizados e 52 distribuidoras multadas nos últimos três dias, demonstrando uma postura de urgência.
O PT já articula no Congresso uma frente parlamentar pela reestatização da antiga BR Distribuidora, além de propor a criação de uma nova empresa estatal de distribuição de combustíveis, buscando contornar a cláusula de não concorrência que impede a Petrobras de voltar a atuar no varejo até 2029, estabelecida quando a BR foi privatizada.
Investimentos na Petrobras e Estratégias Futuras
O presidente revelou que a Petrobras não mantém estoque regulador de combustíveis, surpreendendo-se com essa ausência. Lula cobrou da estatal um plano estratégico e fez a comparação com a reserva cambial construída em seu primeiro mandato, argumentando que “o Brasil tem 370 bilhões de dólares de reserva.
Se a gente não tiver pelo menos um estoque de petróleo, a gente vai ficar refém de qualquer crise”. Os R$ 9 bilhões em investimentos serão aplicados na Regap, com o objetivo de elevar a produção de 166 mil para 200 mil barris/dia até 2027 e atingir 240 mil barris/dia em cinco anos, representando um aumento de 50% na capacidade atual.
O recurso é próprio da estatal, não do Tesouro Nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o lucro da empresa em 2025 foi 200% maior que o de 2024, mesmo com a queda do preço do petróleo, financiando os investimentos com resultado operacional próprio.
A Regap responde por 3,5% do PIB mineiro e é a maior pagadora individual de ICMS do estado, com R$ 15,3 bilhões em 2025. A primeira usina fotovoltaica da Petrobras, com 20 mil painéis em 20 hectares, também foi inaugurada no evento.
