O governo brasileiro está monitorando internamente a realização da COP30, buscando garantir que o evento não comprometa as discussões com os Estados Unidos. Segundo informações reservadas à EXAME, o presidente Lula, durante uma reunião na Malásia em 26 de outubro, convidou formalmente o então presidente Donald Trump para participar da COP30, mesmo que houvesse divergências de posição sobre o combate às mudanças climáticas.
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Trump recusou o convite, expressando a preferência por não comparecer.
Divergências e Busca por Aprendizado
Um funcionário do Planalto observou que Trump estava ciente das posições brasileiras e que elas não seriam minimizadas devido a possíveis divergências. A expectativa é que Brasil e Estados Unidos aprendam a lidar com as diferenças de opinião.
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O objetivo é manter um diálogo construtivo, independentemente de questões de agenda.
Críticas e Pressões Americanas
Poucas semanas antes da COP30, os Estados Unidos pressionaram a Organização Marítima Internacional a adiar um projeto que incentivaria o uso de combustíveis sustentáveis em navios. O presidente Lula criticou publicamente essa interferência durante a Cúpula de Líderes da COP30, em 7 de outubro.
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Ele destacou que o etanol é uma alternativa eficaz e disponível para a indústria e o setor de transportes, lamentando as pressões e ameaças que levaram à Organização Marítima Internacional a adiar esse avanço.
Reações Internacionais e Contexto do Brics
Durante a cúpula, os presidentes da Colômbia e do Chile também fizeram críticas a Trump em seus discursos. Gustavo Petro, presidente da Colômbia, afirmou que “literalmente, o senhor Trump está contra a humanidade”. Gabriel Boric, presidente do Chile, declarou que “estamos vivendo tempos em que surgem vozes que decidem ignorar ou negar as evidências científicas sobre a crise climática”.
A situação se intensificou após o encontro do Brics em julho, quando Trump se revoltou com críticas ao uso do dólar e às barreiras comerciais. Essa reação resultou em uma crise diplomática que durou dois meses, com os Estados Unidos se recusando a abrir canais de negociação com o Brasil.
Retomada das Negociações e Próximos Passos
Após um encontro presencial de Lula e Trump na Assembleia da ONU em setembro, as negociações foram reabertas, culminando em uma reunião na Malásia em 26 de outubro. O governo brasileiro agora espera o avanço das conversas, com o chanceler Mauro Vieira buscando um encontro com o secretário de Estado Marco Rubio durante um encontro do G7 na próxima terça e quarta-feira, na região de Niágara, no Canadá.
O objetivo é marcar uma reunião de negociadores entre Brasil e Estados Unidos para discutir as tarifas, com a expectativa de que ocorra em novembro ou até o final do ano. Caso não haja progresso, o presidente Lula poderá entrar em contato direto com Trump para solicitar o avanço das discussões.
