Após mais de 15 anos de tentativas, o governo brasileiro terá que aguardar um pouco mais para ter acesso ao mercado sul-coreano de carne. A expectativa de uma resolução imediata, durante a visita do presidente Lula à Coreia do Sul na segunda-feira, 23, não se concretizou, sem que fossem definidos prazos.
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Apesar disso, o governo brasileiro expressa confiança de que a abertura do mercado ocorrerá em breve. A chave para essa abertura reside no cumprimento de uma auditoria sanitária por parte dos sul-coreanos, considerada um passo crucial para a liberação das exportações brasileiras.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, confirmou que o compromisso de realização da auditoria foi formalizado em documento. Fávaro declarou que, após a conclusão da auditoria, a abertura do mercado será garantida, devido à qualidade sanitária da carne brasileira, que atende aos melhores padrões mundiais.
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O consumo anual de carne bovina na Coreia do Sul é estimado em cerca de 600 mil toneladas, um dos mais altos da Ásia. A situação gerou um certo desfecho anticlimático na viagem presidencial.
Inicialmente, durante uma visita à Casa Azul, o palácio presidencial sul-coreano, a abertura do mercado era considerada praticamente certa. O tema foi uma prioridade na agenda de Lula, que, ao lado do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, solicitou a conclusão dos procedimentos sanitários para beneficiar os consumidores coreanos.
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Posteriormente, em um fórum empresarial, Lula retomou o assunto com tom bem-humorado, assegurando que o Brasil estaria pronto para atender à demanda coreana, alertando que os consumidores que comprassem carne dos EUA poderiam estar, inadvertidamente, adquirindo carne brasileira.
A disputa com os Estados Unidos é um fator importante. O mercado sul-coreano é um dos quatro na Ásia que o governo brasileiro considera fechado devido a barreiras políticas impostas sob pressão americana. Japão, Vietnã, Turquia e Coreia do Sul compõem essa lista, sendo que a abertura dos três primeiros está em andamento.
Atualmente, quase metade das importações de carne bovina feitas pela Coreia do Sul são provenientes dos Estados Unidos, enquanto o Brasil responde por 85% das importações de frango. Eddie Park, diretor-gerente da Highland Foods, uma das maiores importadoras de frango brasileiro, ressaltou que a abertura depende da aproximação entre os governos.
Park mencionou a sensibilidade do Brasil em relação a tarifas de produtos como eletrônicos e automóveis vindos da Coreia, indicando que a negociação é uma via de mão dupla.
Além da questão da carne, foram assinados outros acordos durante a visita, incluindo um arranjo sobre Comércio e Integração Produtiva, um memorando de entendimento entre os Ministérios da Fazenda dos dois países sobre diálogo econômico e financeiro, um memorando de entendimento entre os Ministérios da Agricultura sobre cooperação no setor, um acordo de cooperação envolvendo Anvisa, Ibama e autoridades sul-coreanas na área regulatória e rural, um memorando sobre cooperação em saúde, um acordo para cooperação em pequenas e médias empresas e empreendedorismo, um memorando na área de Ciência e Tecnologia, cooperação regulatória em produtos relacionados à saúde e uma parceria entre a Embrapa e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia, além de um memorando de cooperação entre a Polícia Federal do Brasil e a Agência Nacional de Polícia da República da Coreia.
