Luan Dias Lamenta a Perda de Aluno e Revela a Profunda Conexão
Em um relato emocionante, o mentor e treinador de taekwondo Luan Dias expressou sua dor pela perda de Cauã Batista Gomes, que faleceu aos 18 anos na terça-feira anterior. A morte do jovem aluno, que começou a treinar com Luan aos 8 ou 9 anos, deixou o treinador profundamente abalado. “Muitos acham que a relação de mentor e aluno é uma via de mão única, onde só quem tem a oferecer é aquele que ensina.
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Cauã foi meu primeiro aluno infantil. Neguei-o muitas vezes, porque na turma só havia adultos pesados e graduados. Como eu iria inserir uma criança de 8, 9 anos num contexto desses? E faixa branca ainda. Caos. Se acontecesse algo ali, eu seria o responsável.
E eu estava começando minha caminhada como professor. Tudo o que eu queria era fugir de uma responsabilidade grande. Até que, depois de muita insistência (dele), cedi.”
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Luan descreveu a relação com Cauã como algo muito além do simples ensino de taekwondo. “Ele fez muito mais por mim do que eu por ele”, confessou o treinador, relembrando os anos que passaram juntos, desde a fase inicial com a faixa branca até o momento em que Cauã se tornou um exemplo dentro e fora da academia. “O tempo passou voando e, quando vi, o ‘mik’ já era carne da minha unha e calo do meu pé, porque não me largava.”
A Personalidade Única de Cauã
O treinador descreveu Cauã como um indivíduo intenso e apaixonado pela arte marcial, que frequentemente desafiava os limites e testava a paciência de Luan. “Era dedo na cara, alteração de voz (de lá e de cá). Pensa num ‘mik’ boquirroto. Mas nunca me faltou respeito e nunca me chamou pelo meu nome dentro do dojang.
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Se eu marcasse treino no Natal, ele estava lá. Sempre pontual e, às vezes, o único a ir. Comia tatame. E ele me ensinou a ensinar.”
Um Legado de Paixão e Dedicação
Luan compartilhou histórias de como Cauã se dedicava incansavelmente aos treinos, muitas vezes enfrentando dificuldades e desafios com uma determinação admirável. “Ele fazia parte do meu exame de mestre e me deu uma bela bicuda nas costas, me jogando para fora da sala.
Ali, acho que ele descontou, porque veio na covardia. Esse cara amava a vida como nunca vi ninguém amar. Era intenso em tudo o que se propôs a fazer. Intensidade essa que desencadeou diversas brigas entre a gente.”
O treinador também destacou a importância da influência de Cauã em sua própria vida, revelando que o jovem aluno o inspirou a continuar ensinando e a seguir em frente, mesmo diante das adversidades. “Porque, graças a ele, tive a oportunidade de viver grande parte da minha vida ao lado de alguém tão especial.
Agora que meu ‘casca de bala’ se foi, resta-me organizar minha desorganização, continuar o legado e, como diria a música preferida dele, mesmo sem seu artista principal, o show tem que continuar.”
