Indicação de Kevin Warsh para o Fed: Impactos e Expectativas
A nomeação de Kevin Warsh para liderar o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, reacendeu um debate crucial no mercado global: até que ponto a política monetária americana seguirá guiada por dados econômicos, e não por pressões políticas.
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A escolha, que ocorre em um cenário de alta tensão política, pode ter implicações significativas para o Brasil e para o mercado financeiro internacional.
O presidente dos Estados Unidos, , após quase oito anos de Powell à frente do banco central do país, busca uma figura que possa navegar por um ambiente de crescente polarização política. A indicação ainda precisa do aval do Senado, onde enfrenta resistência.
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O senador republicano Thom Tillis já declarou que pretende barrar qualquer nomeação até a conclusão de investigações envolvendo Powell.
Análise dos Especialistas
Analistas consultados pela EXAME apontam que a escolha de Warsh, um ex-membro do Conselho de Governadores do Fed entre 2008 e 2011, pode trazer mais estabilidade. Ele já foi considerado para a liderança do Fed em 2017, o que indica um histórico de avaliação e sondagem de candidatos.
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Tomás Roque, analista de alocação e inteligência da Avenue, destaca que Warsh possui uma boa interlocução com o Wall Street, o G20 e já expressou a necessidade de combater a inflação sem estimular o crescimento econômico de forma insustentável.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, ressalta que Warsh é visto como um nome técnico e distante de influências ideológicas, o que contribui para a independência do Fed. Ele defende uma política monetária mais restritiva, o que pode se traduzir em juros mais altos, mesmo diante de sinais de desaceleração da economia americana.
Perspectivas para o Mercado
A expectativa é que a escolha de Warsh possa influenciar a curva de juros americana, com um aumento da inclinação da curva, ou seja, juros mais altos no curto prazo e juros de longo prazo mais altos. Luiz Ormeneze, sócio da Manchester Investimentos, acredita que isso pode se refletir em um ambiente mais desafiador para o mercado de capitais brasileiro, especialmente para setores dependentes de capital externo.
No entanto, se o mercado enxergar previsibilidade nas decisões do Fed, mesmo com juros mais altos por mais tempo, o impacto para o Brasil pode ser administrável. O país continua oferecendo juros elevados e pode atrair capital. A volatilidade tende a diminuir, e investidores se sentirão mais confiantes.
Impacto no Dólar e na Bolsa
A redução do risco político no Fed pode desacelerar o ritmo de valorização global do dólar. Não há uma interrupção da tendência de desvalorização, mas uma desaceleração no curto prazo. Isso pode limitar o ritmo de desvalorização do real e do Ibovespa.
O mercado não gosta de incerteza. Saber quem será o próximo presidente do Fed pode aumentar o apetite ao risco globalmente, inclusive no Brasil. O verdadeiro teste ainda está por vir: a independência do Fed será medida pelas primeiras decisões de Warsh e pela forma como ele reagirá às pressões por juros mais baixos.
