Coreia Sul redefine estratégia: K-Culture emerge como força global e sustentável. Análise aponta para reinvenção interna, impulsionada por sucesso de “Guerra à Coroa” e impacto de BTS. Estratégia da K-Culture cultiva valor e identidade, transformando cultura em motor econômico e competitivo
A cada virada de ano, a pergunta persiste nos relatórios de tendências: “A K-Culture, ou cultura sul-coreana, vai crescer quanto?”. A questão, quase automática, não reflete a realidade. Em 2026, a análise indicou uma mudança de foco: a Coreia inicia seu caminho rumo a 2030 com menos preocupação em “expandir” e mais atenção à sua própria reinvenção.
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O movimento não é de crescimento, mas de uma nova fase. Não se trata mais de conquistar novos mercados, e sim de reestruturar o cenário a partir de dentro.
A cultura coreana não é um fenômeno novo, nem está “chegando” ao Ocidente. Por décadas, moda, maquiagem e bandas de K-pop ocuparam o imaginário jovem em diversas partes do mundo. Adolescentes no Uruguai, Nova Zelândia, Israel e Croácia aprendem coreano; restaurantes de K-Food se espalham por capitais globais; cosméticos asiáticos disputam espaço nas prateleiras da Sephora.
O streetwear, a estética visual e o design de embalagens absorvem códigos vindos de Seul. Ou seja, a K-Culture já se consolidou como uma força de marketing global, deixando de ser um nicho para se tornar uma referência.
O sucesso de 2025, exemplificado pelo filme “Guerra à Coroa” (KPop Demon Hunters), que se tornou o filme mais assistido da Netflix, impulsionando um crescimento de 17% na receita trimestral da plataforma, demonstra a força do fenômeno. A liderança musical do grupo BTS, com dezenas de bilhões de streams e uma base global de fãs, e o impacto direto em turismo, moda e consumo, reacendem um dos motores culturais mais potentes do planeta.
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Não se trata apenas de música; é uma ativação econômica, simbólica e midiática em escala global. O encerramento de “Round 6” (Squid Game) e a presença ainda mais forte da Coreia no teatro, na moda, na beleza e no design reforçam essa dinâmica.
Em contraste com o modelo tradicional de marketing, que busca comprar atenção, a K-Culture opera com uma lógica diferente. Ela cultiva a atenção e acumula valor. A cultura coreana transforma cultura em infraestrutura: música alimenta audiovisual, audiovisual alimenta moda, moda alimenta consumo, e consumo reforça identidade cultural.
Esse ciclo se fecha, e cada novo lançamento nasce mais forte, carregando o lastro simbólico acumulado. Essa estratégia muda completamente o jogo. Marcas e países que entenderam isso operam com uma nova lógica de tempo, investimento e retorno.
No contexto global, o Brasil entra nesse cenário com uma vantagem e um risco. A vantagem é um repertório cultural abundante: música, estética, linguagem, esporte e comportamento seguem sendo ativos poderosos. O risco é continuar tratando nossa cultura com ativações pontuais, e não como um sistema.
Se essa diferença for enfrentada, ela deixa de ser conceitual e passa a ser prática. O custo de não ter uma estratégia cultural própria ficará mais evidente. Quanto mais a Coreia consolida seu ecossistema, mais caro fica competir apenas com mídia, buzz ou performance.
Cultura deixou de ser acessório. Virou motor. Virou canal. Virou defesa competitiva.
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