Júlgamento histórico: envolvidos no 8 de janeiro enfrentam responsabilização. Juristas e historiadores, como Mateus Gamba Torres, ressaltam a importância do processo para a democracia brasileira
O julgamento de indivíduos envolvidos na trama que culminou nos eventos do 8 de janeiro de 2023 representa um marco histórico crucial para o Brasil. Juristas e historiadores, como o professor Mateus Gamba Torres da Universidade de Brasília (UnB), enfatizam que essa responsabilização, tanto de militares quanto de civis, é fundamental para a retomada da democracia em um país com um histórico marcado por tentativas e execuções de golpes de Estado.
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A prática política e jurídica brasileira, segundo o historiador, tem sido caracterizada por uma tendência de absolver ou minimizar a importância de tais episódios.
O criminalista Fernando Hideo ressalta que a responsabilização desses indivíduos reforça dois pilares democráticos essenciais: a igualdade perante a lei e a submissão das Forças Armadas ao poder civil, princípio fundamental do Estado Democrático de Direito.
Ele argumenta que a condenação de agentes armados, financiadores e articuladores políticos envolvidos na trama golpista envia uma mensagem inequívoca de que rupturas institucionais não são divergências políticas, mas sim crimes contra a democracia.
Essa ação, segundo Hideo, rompe com a tradição de impunidade que historicamente acompanhou os episódios autoritários no Brasil.
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Mateus Gamba Torres, especialista em ditaduras civis e militares, destaca que o Brasil é um país marcado por golpes, quarteladas e transições negociadas. Ele enfatiza que a importância de levar militares e civis aos tribunais reside em demonstrar que ninguém está acima da Constituição, seja um ex-presidente ou um general.
O historiador acredita que a responsabilização desses indivíduos contribui para fortalecer as instituições brasileiras e reafirma o compromisso com o futuro da democracia. A análise de Gamba Torres se concentra em compreender o passado para evitar a repetição de erros e garantir a estabilidade democrática.
O constitucionalista Lenio Streck, professor de Direito Constitucional da Unisinos, destaca que o processo judicial representa um recado importante para as classes políticas e para o futuro da democracia brasileira. Ele expressa preocupação com a possibilidade de anistias ou redução de penas, especialmente se o Congresso Nacional veta a dosimetria das penas.
Streck alerta que, se o Parlamento não cumprir seu papel na defesa da democracia, o Supremo Tribunal Federal (STF) será ainda mais criticado, mesmo por seus acertos.
Lenio Streck manifesta preocupação com o tempo necessário para o julgamento dos militares envolvidos no caso, especialmente se o Superior Tribunal Militar (STM) demorar até 2027 para concluir o processo. Ele acredita que, se isso ocorrer, poderá haver um “passapanismo” e uma tentativa de poupar os oficiais militares da perda de suas patentes, o que seria prejudicial para a democracia brasileira.
Mateus Gamba Torres ressalta que, se o Congresso Nacional veta a anistia, principalmente para os líderes da tentativa de golpe, o Parlamento demonstrará fraqueza das instituições brasileiras. Ele espera que o Congresso Nacional não viabilize a anistia, pois isso atenta contra o próprio Congresso Nacional, que sempre foi um dos primeiros a serem fechados em aventuras antidemocráticas.
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