Pesquisas mostram que a busca por menos tempo de tela supera metas tradicionais em fim de ano. Estudo do Opal revela 33% priorizam redução de tempo de tela. Adolescentes: 63% reconhecem excesso de uso e 47% usam ferramentas para limitar
A preocupação com o tempo gasto em frente a telas tem ganhado destaque como uma meta popular durante a época de festas de fim de ano, superando objetivos tradicionais como a perda de peso ou a redução do consumo de álcool. Essa tendência reflete um interesse crescente em equilibrar o uso da tecnologia com outras atividades e bem-estar.
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Uma pesquisa conduzida pelo aplicativo de bem-estar digital Opal, com 1.306 participantes, revelou que 33% dos entrevistados priorizavam a diminuição do tempo de tela. Esse número supera os 28% que indicaram a perda de peso como sua principal meta.
O movimento em prol de menos tempo de tela também está atraindo jovens. Dados do Digital Wellness Lab, ligado ao Hospital Infantil de Boston, mostram que 63% dos adolescentes reconhecem o excesso de uso do celular. Desses, 47% já utilizam ferramentas para monitorar e limitar seu tempo de uso.
Uma pesquisa recente publicada na revista científica JAMA Network Open acompanhou cerca de 400 jovens adultos entre 18 e 24 anos. Os participantes passaram uma semana com restrições no uso das redes sociais, após um período inicial de avaliação.
Os resultados indicaram uma redução de 25% nos sintomas de depressão, 16% na ansiedade e 14% nos relatos de insônia.
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O psiquiatra John Torous, diretor da divisão de psiquiatria digital do Beth Israel Deaconess Medical Center, destacou que o estudo buscou superar limitações de pesquisas anteriores, que se baseavam em relatos subjetivos. Ele observou que “parece que as pessoas usaram o tempo fora das redes para fazer outras coisas no celular”, reforçando a ideia de que nem todo tempo de tela é igual.
Andy Liu, estudante de 19 anos da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, exemplifica essa mudança. Ele aderiu ao coletivo Appstinence, que incentiva o abandono de aplicativos e redes sociais. Liu apagou suas contas, trocou seu smartphone por um modelo mais simples e passou a usar a internet apenas para estudar ou em casos específicos. “Não estou completamente offline, mas agora meu foco é encontrar atividades que façam sentido para mim”, afirmou.
Especialistas alertam que a proposta não exige cortes radicais. David Bickham, diretor de pesquisa do Digital Wellness Lab, sugere que “pode ser uma experiência excelente. Algumas famílias fazem isso toda semana, passando o sábado ou o domingo sem telas”.
Ele ressalta que o impacto das redes sociais varia conforme o tipo de uso, com contato com amigos gerando pertencimento e interações com desconhecidos podendo causar solidão.
A médica Sajita Setia, pesquisadora dos efeitos do tempo de tela na saúde mental, complementa que “não se trata de força de vontade ou autocontrole. A verdade é que nunca venceremos a tecnologia”. Ela aponta que o design das plataformas dificulta o controle do usuário, tornando a busca por equilíbrio um desafio constante.
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