JiveMauá e Sequoia: O que muda no mercado logístico brasileiro em 2026?

JiveMauá Reestrutura Estratégia com Foco em Crédito e Imóveis, e Sequoia Lidera o Movimento
Em 2026, a JiveMauá intensificou uma estratégia que combina crédito estruturado, imóveis e a reestruturação de empresas. Nesse cenário, a Sequoia (SEQL3) emergiu como o principal símbolo dessa movimentação corporativa. A gestora finalizou, em fevereiro, a conversão de dívida em ações, assumindo a posse de 99,6% da companhia.
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Com isso, a JiveMauá assumiu o controle quase total de uma das maiores operadoras de logística do Brasil. A operação retirou a empresa do controle dos fundadores e a inseriu no portfólio de situações especiais da casa. Na prática, a JiveMauá deixou de ser apenas credora para se tornar proprietária da Sequoia, responsável por redefinir seu modelo de negócios.
Desafio Competitivo no E-commerce e a Mudança de Rota
Essa transformação veio acompanhada de uma decisão estratégica de se afastar da disputa direta com as grandes plataformas de e-commerce. Bruno Marino Gomes, diretor da JiveMauá, explicou à EXAME que o crescimento do e-commerce durante a pandemia foi imenso.
Contudo, o mercado se tornou mais desafiador.
Segundo ele, o desafio aumentou quando grandes players, como o Mercado Livre, começaram a internalizar suas estruturas logísticas. Leopoldo Bruggen, CEO da Sequoia, complementou que, além da verticalização das gigantes nacionais, houve a entrada de empresas chinesas no setor, que já operam no Brasil com marketplaces próprios, oferecendo custos muito baixos.
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O Mercado Logístico em Alta Tensão Competitiva
Esse cenário explica o grande desafio enfrentado pela Sequoia. O Mercado Livre, por exemplo, evoluiu de um mero marketplace para uma das maiores plataformas logísticas do país, com uma escala difícil de ser superada. Em 2026, a empresa anunciou um investimento de R$ 57 bilhões no Brasil, destinando grande parte para expandir sua malha logística.
O plano inclui a abertura de 14 novos centros de distribuição e a ampliação da rede, consolidando-a como a maior detentora desses ativos no país. O foco está no modelo de *fulfillment*, onde o próprio Mercado Livre controla toda a operação, do armazenamento à entrega, visando reduzir prazos e aumentar a fidelização do consumidor.
A Pressão da Concorrência e a “Guerra dos Galpões”
A rede do Mercado Livre deve crescer de 28 para 42 unidades, um aumento de 50% na capacidade operacional. Isso altera a lógica do setor, fazendo com que a disputa no e-commerce passe a ser mais sobre a velocidade de entrega do que apenas sobre preço ou variedade de produtos.
Paralelamente, a Shopee, plataforma asiática presente desde 2019, soma cerca de 1,8 milhão de metros quadrados em galpões logísticos. Embora ainda distante do Mercado Livre, seu ritmo de expansão pressiona o líder. A concorrência elevou o nível do jogo, levando empresas a disputarem espaço físico antecipadamente, um fenômeno chamado de “guerra dos galpões”.
O Novo Foco da Sequoia: Nichos de Maior Rentabilidade
Neste contexto, transportadoras independentes como a Sequoia passaram a competir com clientes que se tornaram também grandes operadores logísticos, possuindo escala e integração vertical superiores. Para a Sequoia, competir nesse nível não era viável, sendo um caminho muito mais custoso que os artigos de e-commerce.
Por isso, em abril, a companhia realizou uma transação que incluiu equipamentos de triagem automatizada e a cessão de um centro de distribuição em São Bernardo do Campo. A mudança de foco da Sequoia aponta para nichos mais lucrativos, sendo a logística de materiais bancários peça central dessa nova estratégia.
Vantagens do Setor B2B Financeiro
A avaliação da empresa mostra que o segmento financeiro oferece margens superiores às do e-commerce tradicional, além de maior previsibilidade e uma estrutura operacional difícil de ser replicada. Enquanto o B2C se tornou uma disputa de volume com margens apertadas, o B2B financeiro apresenta um negócio menor em receita, mas mais estável e lucrativo.
Bruggen destaca o diferencial de rentabilidade, afirmando que o nicho possui margens acima de 20%, um salto significativo em comparação com os 10% a 15% do setor anterior. A operação também se apoia em uma malha já consolidada, atendendo 72% da população brasileira com cerca de 420 parceiros.
Visão Estratégica: De Receita para Geração de Caixa
Essa estrutura permite à empresa operar com uma receita menor, mas de maior qualidade. Bruno Marino Gomes ressalta que o custo neste segmento é mais atrelado à receita, o que facilita o planejamento operacional e a busca por margem. A mudança, segundo ele, é conceitual: o foco migra do crescimento de receita para a geração de caixa.
Em resumo, a aposta da Sequoia reflete uma tendência maior no setor: abandonar um modelo que exige muito capital e é pressionado por grandes plataformas. O objetivo é migrar para uma operação mais enxuta, ajustada à demanda e com um retorno financeiro mais sólido e previsível.
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