“Janeiro Branco” alerta: Saúde mental no trabalho em alta. Estudo da VR aponta aumento de ansiedade e depressão em empresas brasileiras. Legislação e NR-1 ganham destaque
O mês de janeiro, tradicionalmente associado a recomeços, tem se consolidado no Brasil como um período de alerta sobre a saúde mental. A campanha “Janeiro Branco”, criada em 2014 pelo psicólogo Leonardo Abrahão, propõe que o início do ano sirva como uma “folha em branco” para repensar hábitos e ampliar o diálogo sobre saúde emocional.
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Mais de uma década após sua criação, a iniciativa ganha um peso adicional no ambiente corporativo. Dados de um estudo da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, revelam que transtornos mentais avançaram de forma consistente nas empresas brasileiras nos últimos dois anos, justamente às vésperas da entrada em vigor das novas exigências da legislação trabalhista.
A análise da VR considera uma base robusta: mais de 30 mil empresas e cerca de 1,3 milhão de trabalhadores que utilizam as soluções de RH Digital da companhia e apresentaram atestados médicos por meio do SuperApp VR entre 2023 e 2025. A partir da verificação das CIDs (Classificação Internacional de Doenças), os dados indicam que afastamentos associados à fadiga, estresse e esgotamento emocional mais que dobraram no período.
Em 2023, esses diagnósticos representavam entre 1,5% e 2,5% dos afastamentos. Em 2024, passaram para a faixa de 3% a 4%. Já em 2025, atingiram entre 6% e 8% dos registros.
Segundo a VR, parte desse crescimento pode estar relacionada à ampliação do uso de CIDs mais específicas para esses quadros. No entanto, os dados mostram que não houve substituição de diagnósticos. Ansiedade e depressão permanecem em níveis elevados ao longo do período, sugerindo um processo cumulativo de adoecimento mental no ambiente de trabalho.
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A ansiedade — em suas diferentes manifestações — continua sendo a principal causa de afastamento por motivos de saúde. Em 2023, respondeu por 54% dos diagnósticos. Em 2024, oscilou entre 51% e 52% e, em 2025, manteve-se entre 48% e 50% dos casos.
Os transtornos depressivos aparecem em seguida, motivando cerca de 30% dos atestados ao longo dos três anos analisados. Já os quadros mistos, que combinam ansiedade e depressão, apresentaram crescimento expressivo: saltaram de 14% em 2023 para 20% em 2024, com leve recuo em 2025, quando ficaram entre 17% e 18%.
Para especialistas, o conjunto dos dados reforça que o avanço do estresse e do burnout não substitui outras doenças mentais, mas se soma a elas, ampliando o impacto sobre trabalhadores e empresas. Nesse contexto, a campanha “Janeiro Branco” passa a dialogar diretamente com a legislação trabalhista.
A atualização da NR-1 amplia o escopo de responsabilidade das empresas ao exigir a identificação, avaliação e gestão dos chamados riscos psicossociais. A norma determina que fatores como estresse ocupacional, sobrecarga de trabalho, pressão por metas, e impactos emocionais decorrentes da organização do trabalho passem a integrar os programas de prevenção de riscos.
“Cuidar exige ações estruturadas, monitoramento e políticas de cuidado, incluindo atenção a indicadores previstos na NR-1, como o controle de jornada e a marcação de ponto, fundamentais para identificar excessos, sobrecarga e riscos psicossociais no ambiente de trabalho”, diz Carvalho.
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